A Polícia Civil do Amazonas deflagrou, na manhã desta sexta-feira (20), uma operação de grande escala para desmantelar uma estrutura infiltrada nos Três Poderes que atuava em favor da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Segundo as investigações, o grupo mantinha um “núcleo político” estratégico com acesso ao Executivo, Legislativo e Judiciário para facilitar o tráfico internacional de drogas e a lavagem de dinheiro.
Até o momento, 14 pessoas foram presas, sendo oito no Amazonas. Ao todo, a Justiça expediu 23 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, cumpridos em sete estados (AM, PA, MG, CE, PI e MA).
O principal foco da operação é a participação de servidores e ex-assessores no esquema. Entre os alvos centrais está Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil e atual integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Ela foi chefe de gabinete do prefeito David Almeida (Avante) até 2023. A polícia ressalta que o prefeito não é alvo e nem investigado no processo.
Além dela, a lista de presos no Amazonas inclui:
- Izaldir Moreno Barros: Servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM);
- Adriana Almeida Lima: Ex-secretária na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam);
- Osimar Vieira Nascimento: Policial Militar;
- Ex-assessores parlamentares e operadores financeiros.
De acordo com a Polícia Civil, a organização movimentou cerca de R 9 milhões por ano. O grupo utilizava empresas de fachada nos setores de transporte e logística para:
- Importação: Comprar drogas (especialmente maconha skunk) na Colômbia.
- Distribuição: Enviar os entorpecentes para Manaus via rotas fluviais e, de lá, distribuir para outros estados brasileiros.
- Blindagem: Tentar obter informações sigilosas sobre investigações para antecipar e evitar ações policiais.
Origem da Investigação
O inquérito teve início após a apreensão de 500 tabletes de maconha, sete fuzis de uso restrito e embarcações em uma operação anterior. A partir do rastreamento financeiro, a polícia identificou movimentações bancárias atípicas e o uso de empresas que existiam apenas no papel para ocultar o patrimônio ilícito.
Os investigados responderão por crimes como organização criminosa, associação para o tráfico, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional.






