Uma década após sediar os Jogos Olímpicos de 2016, o Rio de Janeiro ainda avalia os impactos do maior evento esportivo do mundo na cidade. O chamado legado olímpico trouxe melhorias em áreas como mobilidade urbana e revitalização de espaços públicos, mas também deixou estruturas subutilizadas, problemas de manutenção e projetos que não avançaram conforme o planejado.
A análise é do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), representado pelo presidente Sydnei Menezes. Segundo ele, o resultado geral do legado olímpico foi parcial, com iniciativas bem-sucedidas convivendo com equipamentos que enfrentam dificuldades de uso e gestão.
Na área de transportes, o presidente destaca avanços importantes, como a implantação dos corredores de BRT — Transoeste, Transcarioca, Transolímpica e, mais recentemente, Transbrasil — que ampliaram a conexão entre diferentes regiões da cidade, principalmente nas zonas Norte e Oeste.
Outro marco foi a chegada do VLT à região central e portuária, contribuindo para a integração entre diferentes modais de transporte. A Linha 4 do Metrô, que passou a ligar a Zona Sul à Barra da Tijuca, também é considerada parte importante do legado, embora sua implantação tenha sido marcada por altos custos e questionamentos sobre planejamento e continuidade da expansão. “O legado, de um modo geral, foi apenas parcialmente cumprido. Em relação aos transportes públicos, houve avanços, apesar das deficiências do sistema BRT, que até hoje passa por aprimoramentos”, afirma Sydnei Menezes.
Equipamentos olímpicos ainda buscam novos usos
O destino das estruturas construídas para os Jogos também segue sendo um dos principais desafios. A Arena Carioca 3, por exemplo, foi transformada em uma escola municipal de tempo integral. Já a Arena do Futuro teve a estrutura desmontada e reaproveitada para a construção de unidades escolares.
Outros equipamentos, como o Centro Olímpico de Tênis e demais arenas do Parque Olímpico, ainda enfrentam dificuldades para manter uma utilização constante e dependem de novos modelos de gestão.
Espaços públicos criados ou revitalizados durante o período olímpico também apresentam problemas. O Parque dos Atletas, que recebeu grandes eventos internacionais, atualmente enfrenta críticas relacionadas à falta de manutenção e segurança.
Por outro lado, iniciativas como o Parque Rita Lee e o Parque Radical de Deodoro continuam oferecendo opções de lazer e esporte, embora também dependam de manutenção permanente para garantir o funcionamento adequado.
Para o presidente do CAU/RJ, o legado ainda precisa de continuidade nas políticas públicas para alcançar os resultados esperados. “O que se percebe é que o legado aconteceu de forma parcial e lenta. Já nos aproximamos de praticamente dez anos desde a Olimpíada, e ainda há questões relevantes a serem resolvidas”, avalia.
Revitalização da Zona Portuária é apontada como um dos resultados positivos
Entre os projetos considerados mais bem-sucedidos está a transformação da Praça Mauá e da região portuária, com a criação de equipamentos culturais como o Museu do Amanhã e o Museu de Arte do Rio (MAR).
A área passou a se consolidar como novo polo turístico e cultural da cidade, embora em um ritmo mais lento do que o inicialmente previsto.“Demorou mais que o esperado, mas os museus representam um legado cumprido, uma vez que contribuíram para a revitalização da região portuária”, destaca Sydnei Menezes.
Após dez anos dos Jogos Olímpicos, a avaliação do legado carioca aponta para uma trajetória marcada por conquistas importantes, mas também por desafios que permanecem, principalmente relacionados à manutenção, ocupação e gestão dos equipamentos deixados pelo evento.








