O preço do petróleo está em alta, e o Rio de Janeiro, principal estado produtor do país, viu crescer as receitas com royalties no primeiro semestre deste ano. Mas a riqueza do petróleo tem prazo de validade: a produção nacional deve atingir o pico em 2031 e, depois de um período de estabilidade, começar a cair.
Ao mesmo tempo em que recebe mais dinheiro com a exploração de óleo e gás, o Estado enfrenta uma situação fiscal delicada. A previsão é de um rombo de R$ 19 bilhões nas contas públicas em 2026.
O cenário coloca o Rio diante de um desafio: aproveitar os anos de maior arrecadação com o petróleo para preparar a economia para o período em que a produção começar a diminuir.
Petróleo em alta
A projeção da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) é que o preço médio do barril de petróleo Brent fique em US$ 82 em 2026, contra US$ 69 em 2025. A alta projetada é de 18,89%.
O aumento ocorre em meio à preocupação dos investidores com a guerra no Oriente Médio e os possíveis impactos sobre a oferta global de petróleo.
As incertezas no mercado internacional também chegam ao consumidor. No Rio de Janeiro, o preço médio do litro do diesel S10 passou de R$ 6,26 em janeiro para R$ 7,08 em julho, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A gasolina passou de R$ 6,24 para R$ 6,63 no mesmo período.
Para o Rio de Janeiro, porém, a valorização do petróleo também significa aumento de receita.
Arrecadação com royalties
O RJ concentra hoje 86% da produção de óleo e gás do Brasil. Diariamente, saem dos poços localizados no estado mais de 3,8 milhões de barris de petróleo, segundo dados da ANP de junho de 2026. Além disso, 83% das reservas do pré-sal estão no litoral fluminense.
No primeiro semestre deste ano, o Estado e os municípios fluminenses receberam mais de R$ 21,5 bilhões em royalties. Os royalties são compensações financeiras pagas pela exploração de petróleo e gás, em razão dos riscos e impactos provocados pela atividade. O valor também evidencia a dimensão da dependência do estado de uma riqueza que não é permanente.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do governo federal, prevê que a produção nacional de petróleo passe de 4,4 milhões de barris por dia em 2026 para 5,1 milhões em 2031.
Depois, a projeção é de estabilidade e início de queda: 5,1 milhões de barris por dia em 2032 e 2033, 5 milhões em 2034 e 4,9 milhões em 2035.








