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Violência sexual contra mulheres bate recorde no Rio e chega a 8,6 mil casos

Número de vítimas cresceu 52,9% em dez anos; especialistas alertam para a subnotificação e apontam mudanças culturais e novas formas de violência.

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Foto: Reprodução

O número de mulheres vítimas de violência sexual no estado do Rio de Janeiro atingiu, em 2025, o maior patamar da série histórica. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), 8.681 mulheres foram vítimas desse tipo de violência, um aumento de 52,9% em relação a 2015, quando foram registrados 5.676 casos.

Na comparação com 2024, quando houve 8.339 vítimas, o crescimento foi de 4,1%.

Entre os crimes analisados, os registros de estupro passaram de 4.128 vítimas em 2015 para 5.068 em 2025, alta de 22,8%. Já os casos de importunação sexual tiveram crescimento ainda maior: foram de 610 para 2.723 no mesmo período, um aumento de 346,4%.

 

Aumento dos registros não significa apenas mais casos

Especialistas destacam que os números precisam ser analisados com cautela. O aumento dos registros pode estar relacionado tanto à violência quanto à maior capacidade de identificação e denúncia dos casos.

A professora de Direito da FGV Maíra Fernandes explica que muitos episódios de violência sexual ainda não chegam ao conhecimento das autoridades. Segundo ela, a ampliação dos canais de denúncia, das delegacias especializadas e da rede de atendimento pode ter contribuído para o crescimento dos registros.

Mudanças culturais também influenciam esse cenário. Com maior acesso à informação e mais conhecimento sobre seus direitos, muitas mulheres passaram a identificar situações que antes poderiam ser naturalizadas ou não denunciadas.

 

Violência também cresce no ambiente digital

A violência contra mulheres também ganhou novas formas com o uso da internet. Pela primeira vez, o Dossiê Mulher 2026, do ISP, analisou especificamente esse tipo de ocorrência.

Em 2025, 19.224 meninas e mulheres foram vítimas de algum tipo de violência no ambiente virtual no estado. Entre os casos estão perseguição, chantagem sexual, divulgação não autorizada de imagens íntimas, manipulação de imagens e aliciamento.

Especialistas alertam que a tecnologia não criou a violência de gênero, mas ampliou as ferramentas utilizadas pelos agressores e a velocidade com que os ataques podem se espalhar.

 

Violência física e feminicídio

O problema vai além da violência sexual. Em 2025, 43.309 mulheres foram vítimas de violência física no estado, uma média de 118 casos por dia.

No mesmo ano, foram registrados 104 feminicídios. Segundo o levantamento, 83,8% dos crimes aconteceram dentro de casa e 51,4% foram cometidos por companheiros.

Mais de 70% das vítimas de feminicídio já haviam sofrido violência doméstica anteriormente, mas não tinham feito uma denúncia formal.

 

Violência psicológica lidera registros

A violência psicológica foi a forma mais registrada de violência contra mulheres no estado pelo quinto ano consecutivo. Em 2025, foram 59.743 vítimas, alta de 6,3% em relação ao ano anterior.

Especialistas chamam atenção para sinais como controle de roupas, amizades, telefone e redes sociais, além de ameaças, humilhações, perseguição, isolamento e controle financeiro.

Esses comportamentos podem aparecer antes de agressões físicas ou sexuais e, muitas vezes, não são reconhecidos imediatamente como violência.

 

Rede de proteção é fundamental

Especialistas defendem o fortalecimento da rede de atendimento para ajudar mulheres a romper o ciclo de violência. Os Centros Especializados de Atendimento à Mulher oferecem apoio psicológico, jurídico e social, além de encaminhamento para outros serviços.

Em casos de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. Para denúncias e orientações sobre violência contra a mulher, também está disponível o Ligue 180.

Neste mês, a Lei Maria da Penha completa 20 anos. A legislação é considerada um dos principais marcos no combate à violência contra a mulher no Brasil e estabelece medidas de prevenção, proteção e assistência às vítimas.