A Prefeitura do Rio de Janeiro firmará nesta quinta-feira (20) convênios com a Light, a 99 e a empresa Gabriel para ampliar o uso de dados e tecnologias no combate a crimes na cidade. A iniciativa será coordenada pela Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (Civitas).
A Civitas já opera uma rede municipal com cerca de 13 mil câmeras de vigilância. Desse total, aproximadamente 3,2 mil possuem recursos de reconhecimento facial e leitura de placas de veículos, ferramentas que permitem auxiliar na reconstrução de trajetos e na identificação de padrões relacionados a investigações.
A parceria prevê o compartilhamento de informações com os órgãos de segurança, respeitando as regras de proteção de dados. As informações poderão ser utilizadas pelas polícias e pelo Ministério Público quando houver solicitação formal e necessidade de produção de provas.
Light terá acesso a imagens em tempo real
No acordo com a Light, o foco principal será o combate ao furto de fios e cabos, problema que afeta o funcionamento da rede elétrica e provoca prejuízos para a concessionária e para a população. Entre janeiro e julho deste ano, foram registradas 780 ocorrências, com perdas estimadas em R$ 10,5 milhões para a empresa.
A Light fornecerá à prefeitura informações sobre locais e horários de ocorrências envolvendo furtos de cabos e energia. Também serão disponibilizados dados sobre áreas dominadas pelo crime organizado onde equipes técnicas da companhia enfrentam restrições para realizar serviços.
Em contrapartida, a concessionária terá acesso, por streaming, às imagens das ruas captadas pelas câmeras do Centro de Operações e Resiliência (COR). A expectativa é que o monitoramento permita localizar ocorrências com maior rapidez e agilizar o deslocamento das equipes responsáveis pelos reparos.
Dados da 99 poderão auxiliar investigações
A 99 também participará da integração de informações. A empresa disponibilizará microdados anonimizados referentes a cerca de 500 mil utilizações diárias da plataforma no Rio, entre corridas de motoristas e serviços de entregadores.
Segundo a empresa, os dados serão tratados de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Em casos de investigação, autoridades poderão solicitar consultas específicas no banco de informações e cruzar os resultados com imagens das câmeras para verificar a movimentação de veículos relacionados a ocorrências.
Um dos objetivos é auxiliar na identificação de falsos entregadores que utilizam mochilas térmicas com a identificação da plataforma para dificultar o reconhecimento durante a prática de crimes. A tecnologia poderá ser usada em conjunto com imagens públicas para formar o chamado cerco eletrônico.
Gabriel possui milhares de câmeras
A empresa Gabriel também integra o acordo e possui cerca de 11 mil câmeras instaladas em aproximadamente 3,5 mil vias públicas do Rio de Janeiro. As imagens poderão ser disponibilizadas às autoridades mediante solicitação.
O material produzido pelos equipamentos poderá ser cruzado com as imagens da rede municipal da Civitas. A proposta é utilizar a análise dos dados e das áreas com maior concentração de ocorrências para apoiar o planejamento das ações de segurança.
De acordo com o diretor-executivo da Civitas-Rio, Davi Carreiro, as informações fornecidas pelas empresas poderão ser utilizadas pelos analistas da central para desenvolver soluções tecnológicas destinadas à segurança pública.
A prefeitura também prevê que os dados utilizados em investigações possam seguir uma cadeia de custódia digital, com mecanismos destinados a preservar a autenticidade das informações caso o conteúdo seja requisitado pelas autoridades competentes.








