O tenente do Exército Vinicius Ghidetti de Moraes Andrade foi condenado nesta sexta-feira (21/08) a 63 anos de prisão pela morte de três moradores do Morro da Providência, no Centro do Rio. A decisão foi tomada por unanimidade pelo Conselho Especial de Justiça do Exército.
Segundo a sentença, o militar entregou Wellington Gonzaga da Costa Ferreira, de 19 anos; David Wilson Florenço da Silva, de 24; e Marcos Paulo Rodrigues Campos, de 17, a traficantes do Morro da Mineira, área controlada por uma facção rival à que atuava na Providência.
Os três foram mortos depois de serem submetidos a agressões e tortura. Exames apontaram 46 disparos de arma de fogo, sinais de crueldade e amarras nos punhos.
Entenda o caso
O crime aconteceu em 14 de junho de 2008, durante uma operação do Exército no Morro da Providência. Os jovens foram abordados após um suposto caso de desacato a militares.
Eles foram colocados em uma viatura e levados até o Morro da Mineira. De acordo com a Justiça Militar, Ghidetti recebeu uma ordem para libertar os jovens, mas decidiu continuar o deslocamento.
A sentença concluiu que o tenente sabia do conflito entre as facções que dominavam as duas comunidades e assumiu o risco de que os três fossem mortos.
Durante o processo, Ghidetti afirmou que não esperava que os jovens fossem assassinados. Segundo ele, a intenção era apenas dar um susto.
A Justiça, porém, entendeu que as provas e as declarações do próprio militar demonstraram que ele tinha conhecimento do risco.
Pena de 63 anos
Ghidetti recebeu 21 anos de prisão por cada homicídio, totalizando 63 anos. A pena deverá começar em regime fechado.
Apesar da condenação, o tenente poderá recorrer em liberdade. A Justiça Militar entendeu que, neste momento, não havia motivos para determinar a prisão preventiva.
Na definição da pena, foram considerados fatores como abuso de autoridade, crueldade e o motivo considerado torpe.
O processo se arrastou por anos e passou por diferentes instâncias da Justiça. Em 2017, após mudanças na legislação, o caso deixou a Justiça Federal e passou para a Justiça Militar.








