O Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe/Uerj), em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, vai ampliar a oferta de atendimento de alta complexidade com a inauguração de novas estruturas voltadas ao tratamento de câncer e doenças renais. As alas de oncologia e nefrologia serão inauguradas na próxima terça-feira (25), com previsão de início dos serviços até o começo de setembro.
O investimento nas obras e na compra de equipamentos para os dois espaços foi de R$ 50 milhões, com recursos da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
Na nova estrutura de nefrologia, a expectativa é triplicar o número de transplantes renais realizados no hospital, passando de 50 para 150 procedimentos por ano. Já na oncologia, a unidade ganhará novos equipamentos de medicina nuclear e ampliará a capacidade do setor de quimioterapia.
Novo centro vai reunir tratamento renal e transplantes
A principal expansão na área de nefrologia será o Núcleo de Assistência, Treinamento e Pesquisa em Nefrologia e Transplantes (Nant/Uerj), que concentrará em um mesmo espaço o atendimento a pacientes adultos e crianças, desde o diagnóstico de doenças renais até o transplante.
A estrutura, distribuída em cinco andares, contará com setores de internação, enfermaria, isolamento, farmácia e centros de diálise pediátrica e adulta.
Com o início dos serviços de hemodiálise, o local deverá se tornar o maior centro público do estado voltado à área. Serão 34 poltronas destinadas à hemodiafiltração, método utilizado para a retirada de impurezas do sangue e que, segundo a unidade, oferece maior precisão no tratamento e pode causar menos desconforto aos pacientes.
A previsão é ampliar de 60 para 240 o número de pessoas atendidas mensalmente no serviço de diálise.
A nova estrutura também deverá elevar a capacidade de transplantes renais de 50 para 150 por ano. Atualmente, o Hospital Pedro Ernesto realiza transplantes de córnea, rim, coração, fígado e medula. A previsão é que os primeiros transplantes de pâncreas comecem a ser realizados até 2027 e, posteriormente, também sejam incorporados procedimentos envolvendo pulmão.
Recentemente, o setor passou a utilizar tecnologia de perfusão renal, equipamento que simula a circulação sanguínea do órgão doado e ajuda a preservar suas condições até o transplante. Mais de 200 procedimentos já foram realizados com o auxílio da tecnologia.
Oncologia terá PET-Scan e ampliação da quimioterapia
Na área oncológica, o Hospital Pedro Ernesto inaugurará um novo andar do Centro Universitário de Controle do Câncer (CUCC/Uerj), dedicado a serviços de medicina nuclear e quimioterapia.
Entre os equipamentos está um PET-CT, também conhecido como PET-Scan, apontado como o primeiro equipamento desse porte na rede estadual. O aparelho permite a realização de exames de imagem de alta resolução para identificar tumores e avaliar a extensão da doença por meio do mapeamento do organismo.
A unidade também contará com um equipamento SPECT, utilizado em exames de cintilografia de corpo inteiro e de órgãos específicos para avaliar seu funcionamento.
“A novidade agora é que nós vamos abrir o segundo andar. Neste segundo andar, existem dois setores: medicina nuclear e quimioterapia. Na medicina nuclear, vão ser oferecidos exames de PET-CT. Ele, ao mesmo tempo em que faz uma captação, tomografa o corpo inteiro. E aí funde as imagens, e nós vamos ter um mapeamento geral da presença, por exemplo, de tumores”, explicou o médico Rodolfo Acatauassú, coordenador científico de controle do câncer do Hupe.
O setor de quimioterapia também terá a capacidade ampliada. O número de poltronas passará de oito para 15, enquanto a área assistencial crescerá de 120 m² para 450 m².
Governo projeta expansão do hospital
Além das novas alas, o governo estadual estuda um projeto mais amplo de expansão do Hospital Pedro Ernesto. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, a proposta deverá ser apresentada ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em busca de financiamento.
O plano prevê a construção de um novo prédio em uma área atualmente utilizada como estacionamento. A expansão permitiria aumentar a capacidade de realização de cirurgias, internações e atendimentos ambulatoriais.
“O Hupe é o único hospital universitário da rede estadual e realiza produção científica e assistencial, desde atendimento ambulatorial até cirurgias de alto risco e transplantes de órgãos. Mas já não está cabendo na infraestrutura atual e necessita de expansão”, afirmou o secretário estadual de Saúde, Ronaldo Damião.
Atualmente, o Hospital Pedro Ernesto conta com cerca de 500 leitos. A intenção do governo é dobrar essa capacidade com a construção de um prédio anexo.
Os pacientes atendidos nas novas alas de oncologia e nefrologia deverão ser encaminhados ao hospital pelo sistema de regulação das redes municipal e estadual de saúde.








