Mais da metade do eleitorado brasileiro compareceria às urnas neste ano mesmo que o voto deixasse de ser uma obrigação legal. É o que aponta pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (23): 56% dos entrevistados disseram que votariam de qualquer forma, enquanto 43% admitem que ficariam em casa se pudessem escolher, e 1% não soube responder.
O instituto perguntou diretamente aos entrevistados: “Pensando na eleição deste ano, se o voto NÃO fosse obrigatório, você iria votar, sim ou não?”
A pesquisa ouviu 2.058 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 18 e 19 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-04496/2026.
O apego ao voto voluntário não se distribui de forma uniforme pela população. Homens declaram maior disposição de votar do que mulheres (59% a 53%), e a diferença se acentua com a idade: entre eleitores acima de 60 anos, 61% manteriam o hábito de votar, número que cai para 48% na faixa de 16 a 24 anos — ou seja, os eleitores mais jovens são justamente os menos motivados a ir às urnas sem obrigação legal.
Escolaridade e renda seguem o mesmo padrão. Eleitores com maior nível de instrução declaram disposição de votar em 69% dos casos, contra 49% entre os menos escolarizados. O contraste mais expressivo, porém, está na renda: 75% de quem ganha acima de cinco salários mínimos por mês diz que votaria de qualquer forma, número que despenca para 49% entre quem recebe até dois salários mínimos.
Entre quem hoje declara voto em Lula (PT), 65% afirmam que iriam às urnas ainda que o voto fosse facultativo. O índice é próximo entre eleitores de Flávio Bolsonaro (PL): 62%.
Comparado a pesquisas anteriores do próprio Datafolha, o número atual de 56% representa o maior índice de adesão espontânea ao voto já registrado pelo instituto em período eleitoral equivalente. Em agosto de 2014, apenas 49% dos entrevistados diziam que votariam sem a obrigatoriedade; em junho de 2015, esse porcentual havia caído para 41%.








