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Fila do INSS cai pela metade no Rio, mas número de benefícios negados dispara

Fila passou de 178.385 para 87.942 requerimentos no período, uma redução de mais de 90 mil processos em seis meses

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reprodução

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) reduziu em 50,7% o número de pedidos de aposentadorias e outros benefícios em análise no Rio de Janeiro entre fevereiro e julho de 2026. A fila passou de 178.385 para 87.942 requerimentos no período, uma redução de mais de 90 mil processos em seis meses.

A queda no estoque também foi acompanhada por uma redução no tempo médio de espera. O intervalo entre o pedido e a decisão caiu de 54 para 30 dias, uma redução de 44%.

Apesar da melhora nos indicadores de análise, o número de segurados que tiveram os pedidos negados aumentou. No primeiro semestre de 2026, o INSS indeferiu 266.919 solicitações no estado, alta de 74,2% em relação ao mesmo período de 2025.

Entre fevereiro e julho, o INSS concluiu cerca de 607,6 mil análises no Rio de Janeiro. Em fevereiro, foram 78.878 processos concluídos. Em julho, o número chegou a 110.444, crescimento de aproximadamente 40%.

As concessões também avançaram. Foram 33.278 benefícios concedidos em fevereiro, contra 50.931 em julho, uma alta de 53%. Ao longo dos seis meses, cerca de 275 mil benefícios foram concedidos no estado.

O cenário, no entanto, mudou a partir de maio, quando o número de indeferimentos passou a superar o de concessões todos os meses. A proporção de pedidos negados em relação ao total de requerimentos analisados no Rio passou de 49% para 53%.

Segundo o INSS, o aumento das negativas está relacionado, entre outros fatores, à análise de processos mais antigos que permaneciam no estoque. Com a avaliação desses pedidos, parte das solicitações acaba não atendendo aos requisitos necessários para a concessão do benefício.

O instituto atribui a redução da fila a uma combinação de medidas, como reforço da força de trabalho, realização de mutirões, incentivo à produtividade e modernização dos processos. Ferramentas automatizadas também são utilizadas para a triagem e execução de tarefas repetitivas.

O INSS afirma, porém, que a decisão sobre o direito ao benefício segue as regras aplicáveis e que os casos que exigem avaliação específica passam por análise individual.

Apesar da redução do tempo médio de espera, segurados relatam situações em que a análise continua demorando mais do que o indicador oficial.

O dentista Jeilson Gusmão, de 59 anos, servidor municipal em Miguel Pereira, aguarda há dois meses a análise do pedido de aposentadoria, prazo superior à média registrada atualmente pelo INSS no estado.

A médica Lilian Almeida, de 57 anos, com 30 anos de contribuição ao INSS, protocolou o pedido em 16 de julho e ainda não havia recebido resposta até o fechamento da reportagem.

Outro caso é o da professora Rita Maria Nicolau. Com 25 anos de contribuição, ela entrou com o pedido de aposentadoria em setembro de 2025 e só recebeu a resposta, com o indeferimento do benefício, em abril de 2026.

A estatística Ana Costa, de 59 anos, também enfrentou dificuldades. O primeiro pedido foi protocolado em 6 de fevereiro e indeferido em 27 de março. Após a negativa, ela apresentou recurso administrativo e fez um novo requerimento em 28 de abril, que ainda estava sem resposta.

Os dados do Boletim Estatístico da Previdência Social mostram que a redução da fila no Rio ocorre em um cenário semelhante ao registrado em todo o país.

Entre janeiro e junho de 2026, o Brasil concedeu 4.239.522 benefícios, número 13,4% maior que o registrado no mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, foram contabilizados 4.319.336 indeferimentos, crescimento de 69,8%.

A maior parte das negativas está relacionada aos benefícios por incapacidade. Em junho, das 938.180 solicitações negadas no país, 664.909 pertenciam a essa categoria, o equivalente a 71% do total.

Os benefícios por incapacidade também representam uma parcela significativa da fila nacional. Dos 2,191 milhões de pedidos que estavam represados em maio de 2026, cerca de 928 mil eram relacionados a esse tipo de benefício.

A fila da perícia médica federal, responsável pela avaliação de pedidos como auxílio por incapacidade temporária e aposentadoria por incapacidade permanente, também apresentou redução. O estoque caiu de 1,23 milhão de pessoas em novembro de 2025 para 494.667 em maio de 2026.

O tempo médio nacional para a concessão de benefícios também diminuiu. Depois de atingir o pico de 76 dias em fevereiro de 2026, o prazo caiu para 48 dias em junho.

Apesar da redução da fila e do tempo médio de análise, os números mostram que o desafio do INSS não está apenas em acelerar a avaliação dos pedidos, mas também em lidar com o aumento das negativas e com os casos individuais que continuam ultrapassando os prazos médios registrados pelo órgão.