As cobranças judiciais de dívidas privadas chegaram ao maior patamar da série histórica em 2025, segundo levantamento feito com base no Painel de Estatísticas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Foram 1.239.537 novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais no ano passado. Em 2020, haviam sido 772.645. A alta no período foi de cerca de 60%.
O crescimento ocorre em meio ao endividamento recorde das famílias. Em março, 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas, maior percentual da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Os processos analisados podem envolver tanto consumidores quanto empresas. Eles são usados para cobrar dívidas privadas com base em documentos que já comprovam o débito, como contratos de empréstimo, financiamentos de veículos ou imóveis, dívidas de aluguel, cheques, duplicatas e outros títulos.
A série mostra crescimento ano a ano:
2020: 772.645 novos processos;
2021: 838.701;
2022: 994.098;
2023: 1.131.730;
2024: 1.194.184;
2025: 1.239.537.
Entre janeiro e março de 2026, já foram registrados 295.541 novos processos.
Dados do Banco Central também mostram que as famílias comprometem quase 30% da renda mensal com o pagamento de dívidas. O endividamento total, considerado em relação à renda acumulada em 12 meses, chegou a 50% dos ganhos das famílias.
Estar endividado não significa necessariamente estar inadimplente: o endividamento inclui compromissos financeiros ainda em dia, enquanto a inadimplência considera contas vencidas. Em maio de 2026, as maiores taxas de inadimplência foram registradas no Amapá, Distrito Federal, Amazonas, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro, segundo a Serasa.
*Com informações do G1








