A Polícia Federal aponta que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, teria recebido vantagens de um esquema ligado ao Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. As informações estão em uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que retirou o sigilo do documento nesta quinta-feira (03/09).
Segundo a investigação, despesas pessoais e imóveis de luxo ligados a Castro teriam sido pagos ou mantidos por meio de empresas e pessoas próximas ao grupo investigado.
Um dos casos citados pela PF é a compra de R$ 10,5 mil em caviar, em abril deste ano. De acordo com os investigadores, Castro negociou pessoalmente a compra e pediu que parte dos produtos fosse entregue no hotel onde estava hospedado, em São Paulo.
Apesar de o ex-governador ter informado que faria o pagamento por Pix, a transferência saiu da conta de uma empresa pertencente ao advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, conhecido como “Pipo”. A PF aponta o advogado como um dos operadores do esquema.
Mansão em Petrópolis
A investigação também aponta que Castro utilizava uma mansão de luxo em Petrópolis registrada em nome da empresa Concrecasa Construções Inteligentes.
Segundo a PF, o ex-governador teria controle sobre o imóvel, acompanhando reformas e outros serviços. Entre as obras citadas está um projeto de adega climatizada avaliado em R$ 245 mil.
A empresa responsável pelo imóvel teria ligação com o empresário Luiz Fernando Gomes. De acordo com a investigação, uma empresa ligada a ele firmou 11 contratos com o governo do estado durante a gestão de Castro, no valor total de R$ 355,2 milhões. Desse montante, R$ 49,6 milhões teriam sido contratados sem licitação.
Cobertura na Barra
Outro ponto investigado é a cobertura onde Castro mora, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.
Segundo a PF, o ex-governador paga R$ 10 mil por mês de aluguel, enquanto o valor de mercado de imóveis semelhantes na região seria entre R$ 25 mil e R$ 29 mil.
A investigação aponta ainda que a empresa proprietária da cobertura foi criada pouco antes de comprar o imóvel, por cerca de R$ 3,48 milhões, e teria a propriedade como único patrimônio registrado.
Mensagens encontradas em celulares apreendidos também indicariam, segundo a PF, que Castro e a esposa participaram de decisões relacionadas a obras e instalações na cobertura.
Investigação sobre a Refit
A Operação Sem Refino investiga suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e evasão de divisas envolvendo a Refit e o empresário Ricardo Magro, apontado como controlador do grupo.
De acordo com a PF, o esquema teria utilizado empresas e pessoas interpostas para esconder a origem e o destino de recursos e financiar despesas pessoais de agentes públicos.
A investigação também aponta que Castro teria atuado para favorecer interesses do Grupo Refit, inclusive em questões relacionadas a licenças ambientais e empresas concorrentes.
A PF ainda investiga a participação de outras pessoas no esquema. Até a última atualização, a reportagem informava que buscava contato com Cláudio Castro e sua defesa.








