Candidato ao Senado pelo Podemos, o vereador do Rio de Janeiro Marcos Dias participou nesta sexta-feira (4) da Sabatina Manchete – Eleições 2026, no Show do Raphael De França, da Rádio Manchete. Durante a entrevista, o candidato apresentou suas principais bandeiras e respondeu a questões sobre segurança pública, desigualdade social, economia, relação entre os Poderes e atuação do Senado Federal.
A segurança pública foi o primeiro tema abordado. Marcos Dias afirmou que sua preocupação com a área também tem origem em uma experiência pessoal: há 13 anos, seu irmão, o pastor Edivaldo Dias Pereira, morreu após ser atingido por uma bala durante uma troca de tiros.
Segundo o candidato, o enfrentamento da criminalidade precisa combinar investimento nas forças de segurança, inteligência e integração entre diferentes órgãos. Ele defendeu uma atuação conjunta das polícias Federal, Civil e Militar e das forças municipais, com compartilhamento de informações para atingir também a estrutura financeira das organizações criminosas.
“Tem que haver inteligência, integração. Não pode trabalhar a Polícia Federal de um lado, a Polícia Estadual de outro, as forças municipais separadas.”
Marcos Dias também criticou o que classificou como excesso de discursos e falta de execução das medidas anunciadas pelos governos. Para ele, além de equipamentos e viaturas, é necessário cuidar das condições de trabalho e da saúde emocional dos profissionais de segurança.
“Propostas nós já conhecemos todas elas. O negócio é colocar em prática.”
Maioridade penal e educação
Na área de segurança, o candidato também defendeu a redução da maioridade penal. Para Marcos Dias, adolescentes aliciados pelo crime precisam ser responsabilizados, mas a política de segurança deve ser acompanhada de investimentos em educação desde a infância.
Ele citou a necessidade de creches, pré-escolas e escolas de qualidade, além da valorização dos profissionais da educação, como medidas de prevenção à entrada de jovens na criminalidade.
“Nós temos que começar lá atrás na educação.”
O candidato também relacionou a violência à falta de integração entre as instituições e afirmou que as comunidades não podem ser tratadas como sinônimo de criminalidade. Segundo ele, a maioria dos moradores quer apenas trabalhar e viver com segurança.

Emprego, desigualdade e ambiente de negócios
Ao falar sobre desenvolvimento social, Marcos Dias criticou a dependência permanente de programas de transferência de renda, mas ressaltou que não é contrário às políticas sociais. Na avaliação dele, esses mecanismos deveriam estar associados à qualificação profissional e à reinserção no mercado de trabalho.
O candidato também apontou a insegurança jurídica e a violência como obstáculos ao desenvolvimento econômico. Citou, entre outros exemplos, os impactos do roubo de cargas sobre os custos das empresas e dos produtos.
Para Marcos Dias, o estímulo ao empreendedorismo e à geração de empregos deve estar no centro da discussão sobre desigualdade.
“Quem entende de gerar recurso e renda é o empresário, é o empreendedor. E ele não trabalha sozinho.”
Críticas às indicações políticas
Durante a entrevista, Marcos Dias também defendeu mudanças na relação entre política e administração pública. Ele afirmou que parlamentares não deveriam indicar comandantes de batalhões, chefes de delegacias ou diretores de hospitais.
O candidato disse que pretende defender critérios técnicos para essas funções e criticou o uso político de cargos públicos.
“Não tem que indicar comandante de batalhão. Não tem que indicar chefes de delegacia. Não tem que indicar diretor de hospital. Isso tem que acabar.”
Marcos Dias também afirmou que alianças políticas devem servir à gestão pública e não à distribuição de cargos.
“Não é pra fazer cabide de emprego. […] É fazer com responsabilidade e competência.”
Redução de gastos do Congresso
Outra bandeira apresentada pelo candidato foi a revisão dos gastos do Legislativo e dos recursos destinados às campanhas eleitorais. Marcos Dias defendeu uma reforma administrativa que, segundo ele, deveria começar pelos próprios parlamentares.
Ele citou durante a entrevista valores relacionados às emendas parlamentares, ao custo de manutenção do Senado e da Câmara e ao fundo eleitoral, defendendo uma redução dessas despesas.
“É tempo de responsabilidade.”
Mandato para ministros do STF
A relação entre os Poderes também ocupou parte importante da sabatina. Marcos Dias criticou o que considera uma ampliação da atuação do Supremo Tribunal Federal em temas políticos e defendeu mudanças na forma de composição da Corte.
Uma de suas principais propostas é estabelecer mandato de oito anos para ministros do STF, em vez da permanência até a aposentadoria compulsória.
O candidato também defendeu que a escolha dos ministros tenha maior participação de magistrados de carreira e criticou o que chamou de “ação entre amigos” nas indicações para a Corte.
“Eu sou a favor de oito anos de mandato.”
Ao mesmo tempo, Marcos Dias afirmou ser contrário a ataques pessoais contra ministros e defendeu que eventuais cobranças sejam feitas por meio das instituições.
“É atuando, é conversando, é unindo as forças entre os senadores e cobrar a solução.”
Castração química e proteção de crianças
Questionado sobre uma de suas bandeiras na área de proteção de crianças e adolescentes, Marcos Dias defendeu a castração química para condenados por crimes sexuais, associada à punição criminal.
Segundo ele, a medida deveria atingir pessoas que cometem violência sexual contra crianças e mulheres. O candidato, porém, voltou a destacar a importância da prevenção e da educação para evitar que novos crimes aconteçam.
“Quando existe a necessidade da castração química, é porque já houve uma vítima.”
Marcos Dias também falou sobre feminicídio, proteção às mulheres e políticas de acolhimento para famílias e pessoas que necessitam de apoio do poder público.
Diálogo com governos de diferentes posições
Questionado sobre como atuaria no Senado diante de um governador ou presidente que não tivesse alinhamento político com ele, Marcos Dias afirmou que manteria o diálogo e votaria de acordo com sua avaliação de cada proposta.
Declarando-se de direita e conservador, o candidato afirmou apoiar Flávio Bolsonaro para a Presidência da República, mas disse que não votaria contra uma proposta simplesmente por oposição política.
“Eu não tenho que votar por birra, por pirraça. […] Eu tenho que votar com responsabilidade.”
Marcos Dias também afirmou que cobraria um eventual governo apoiado por ele caso considerasse que alguma medida estivesse inadequada.
“Não precisa inventar a roda”
No encerramento da sabatina, Marcos Dias afirmou que pretende chegar ao Senado com a proposta de atuar de forma próxima a vereadores e municípios e prometeu manter um gabinete aberto para demandas das cidades do estado.
Ao explicar por que considera estar preparado para ocupar uma das duas vagas do Rio no Senado, o candidato resumiu sua proposta de atuação em uma frase:
“Estou preparado para estar em Brasília com responsabilidade, sem promessas. Não precisa inventar a roda. É só fazer acontecer.”
Marcos Dias é vereador do Rio de Janeiro e disputa uma das duas vagas destinadas ao estado no Senado Federal nas eleições de 2026.








