Um navio comercial iraniano foi atingido na madrugada deste domingo (13), próximo à Ilha de Qeshm, no sul do Irã. Segundo a mídia estatal iraniana, que citou o governador do distrito de Qeshm, uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas.
O episódio ocorre em meio à escalada do conflito no Oriente Médio e ao aumento das preocupações com a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo e gás.
Também neste domingo, a agência britânica UKMTO, ligada à Marinha do Reino Unido, informou ter recebido uma notificação sobre um novo ataque a uma embarcação que navegava pelo estreito. Segundo o órgão, um projétil atingiu um navio em trânsito pela passagem. Ainda não havia informações sobre a extensão dos danos ou sobre a situação da tripulação.
Oleoduto saudita é fechado após ataque
A sequência de incidentes ocorre um dia depois de a Arábia Saudita anunciar o fechamento temporário do oleoduto Leste-Oeste, uma das principais vias de exportação de petróleo do país.
A decisão veio após um ataque com drone que Riad e Bagdá atribuíram a grupos atuantes no Iraque ligados ao Irã. Até o momento, não houve reivindicação imediata de autoria pelos ataques registrados neste fim de semana.
Imagens de satélite mostraram uma coluna de fumaça preta saindo de uma área próxima ao oleoduto, ao sul de Medina. O governo saudita informou que houve danos e feridos, mas não detalhou possíveis impactos sobre as exportações.
Com cerca de 1.200 quilômetros de extensão, o oleoduto Leste-Oeste passou a ter papel ainda mais importante para o escoamento do petróleo da região após a guerra restringir o tráfego pelo Estreito de Ormuz. A estrutura tem capacidade para transportar entre 4 milhões e 5 milhões de barris por dia, equivalente a cerca de 4% a 5% da oferta mundial.
Petróleo volta a superar US$ 100
Os novos ataques aumentaram os temores de interrupções no fornecimento global de energia. Na última semana, o preço do petróleo Brent voltou a superar US$ 100 por barril, em meio às preocupações sobre os efeitos do conflito na produção e no transporte de petróleo na região.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado (12) que o Irã provavelmente está por trás do ataque ao oleoduto saudita.
No mesmo dia, a Defesa Civil da Arábia Saudita informou que um projétil lançado pelos rebeldes houthis deixou duas pessoas feridas na região de Jazan e danificou diversos prédios, incluindo uma mesquita.
A tensão no Estreito de Ormuz também levou os Estados Unidos a restringirem os horários de proteção militar oferecidos a navios-tanque que atravessam a região.
Segundo o Financial Times, Washington reduziu, no início de setembro, a cobertura aérea fornecida às embarcações para duas janelas diárias de escolta, após o aumento dos ataques iranianos contra navios durante a noite.
Desde maio, os Estados Unidos ofereciam proteção aérea a petroleiros que utilizavam uma rota próxima à costa de Omã, no lado sul do estreito. A redução da cobertura ocorre em meio à tentativa de proteger a navegação comercial sem manter uma presença militar contínua na região.
O Estreito de Ormuz é considerado um dos principais pontos de tensão da crise no Oriente Médio. Antes da guerra, a passagem era uma das principais rotas utilizadas por petroleiros que abastecem mercados da Ásia, Europa e Américas.
Um encontro entre representantes iranianos e países árabes do Golfo está previsto para segunda-feira (14), em Omã, para discutir o futuro da navegação na região.
Apesar dos esforços diplomáticos, ainda não houve avanços significativos nas negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito.
Autoridades iranianas, porém, reduziram as expectativas de um acordo imediato. Segundo a agência Tasnim, Teerã mantém condições para uma eventual reabertura da passagem, incluindo o reconhecimento de sua autoridade sobre a região — exigência rejeitada por Washington.
A continuidade dos ataques contra embarcações e instalações de energia aumenta os riscos para o comércio global de petróleo e mantém os mercados internacionais em alerta.
Com informações da Reuters.








