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Prefeitura do Rio regulamenta pagamento de passagens de ônibus com cartões de crédito e débito

Nova medida traz facilidades, mas passageiros devem ficar atentos à perda de integrações tarifárias e eventuais taxas extras.

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Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio

A Prefeitura do Rio de Janeiro deu mais um passo importante em direção à modernização e à digitalização do sistema de transporte público municipal ao regulamentar o pagamento de passagens de ônibus diretamente por meio de cartões de crédito e débito nos validadores dos veículos.

A medida oficial foi publicada no Diário Oficial desta segunda-feira (14), formalizando uma tecnologia que já vinha sendo implementada de forma gradual pela administração municipal ao longo dos últimos meses. Atualmente, essa facilidade já se encontra em fase de testes práticos no Terminal Gentileza, funcionando especificamente nas catracas dos sistemas de BRT e VLT.

No entanto, para os passageiros que utilizam as linhas tradicionais de ônibus da cidade, a implementação ainda não possui uma data definida para acontecer, conforme informou a Secretaria Municipal de Transportes.

De acordo com as novas regras estabelecidas pela regulamentação, a empresa operadora do sistema Jaé, que é a atual plataforma oficial de bilhetagem digital do município, passa a ter a obrigação legal de disponibilizar essa modalidade de pagamento por aproximação diretamente nas catracas dos transportes.

No que diz respeito aos custos operacionais para os usuários, a prefeitura estabeleceu diretrizes bem claras para proteger o bolso do cidadão. Para as operações financeiras realizadas na função débito, ficou expressamente proibida qualquer tipo de cobrança adicional de taxas sobre o valor da tarifa.

Em contrapartida, para os pagamentos efetuados na função crédito, o poder público autorizou a cobrança de um valor extra que pode chegar a até R$ 0,30 por viagem realizada. Esse acréscimo financeiro tem como destino exclusivo a cobertura dos custos operacionais de intermediação financeira da transação.

Apesar da comodidade proporcionada pela novidade, a principal e mais significativa mudança para os passageiros diz respeito à perda de benefícios de mobilidade. Aqueles usuários que optarem por realizar o pagamento da passagem de forma direta com o seu cartão bancário farão, obrigatoriamente, uma viagem estritamente unitária. Isso significa que o passageiro perderá o acesso aos benefícios de integrações tarifárias tão importantes como o Bilhete Único Carioca (BUC), o Bilhete Único Margaridas (BUM) ou quaisquer outras modalidades de integração oferecidas atualmente pelo sistema de transporte municipal.

Por conta dessa restrição de integrações, a resolução determina ainda que a operadora responsável realize uma campanha de ampla divulgação das novas regras. O objetivo é informar com total transparência aos usuários os valores exatos praticados para os pagamentos nas funções de crédito e débito, além de alertar claramente sobre a ausência do direito aos benefícios de integração quando o cidadão optar por pagar a tarifa utilizando diretamente o seu cartão bancário pessoal.

Vale destacar que essa regulamentação consolida uma série de inovações tecnológicas que começaram a ser testadas pela prefeitura no primeiro semestre. Já em maio deste ano, o município havia anunciado o início dos testes para pagamentos utilizando Pix, além dos cartões de débito e crédito diretamente nos validadores dos coletivos.

A iniciativa fazia parte de um amplo conjunto de mudanças estruturais voltadas diretamente à digitalização completa da bilhetagem e à consequente redução drástica da circulação de dinheiro em espécie a bordo dos veículos da frota municipal.

O processo de transição para o modelo totalmente digital avançou de forma acelerada. Desde junho de 2026, os ônibus municipais do Rio deixaram oficialmente de aceitar o pagamento de passagens em dinheiro em espécie a bordo.

Na época da proibição, a prefeitura justificou a decisão informando que cerca de 95% de todas as viagens já eram quitadas por meio de meios eletrônicos, restando apenas 5% de passageiros que ainda utilizavam o dinheiro físico. Apesar disso, o dinheiro em espécie continua plenamente válido e pode ser utilizado normalmente pelos cidadãos para a compra de novos cartões Jaé ou para realizar a recarga dos cartões existentes nos diversos pontos físicos de atendimento espalhados pela cidade.