O Governo do Estado oficializou uma mudança de peso na área de ciência e tecnologia. O reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, foi nomeado secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), em ato publicado no Diário Oficial desta quarta-feira (16). A chegada do acadêmico ao governo ocorre junto com uma ampla reorganização da pasta, que ganhou novas competências e estrutura administrativa.
Nóbrega havia sido anunciado para o cargo no fim de agosto pelo governador em exercício, Ricardo Couto. Antes disso, participou da comissão formada para discutir o novo desenho da secretaria ao lado de outros reitores de universidades fluminenses. A proposta foi construída após interlocução do governo com representantes da comunidade científica.
A nomeação ocorre com a publicação do Decreto nº 50.472, de 15 de setembro de 2026. O texto reorganiza a Secti e detalha responsabilidades em áreas como pesquisa científica, inovação, transformação digital, inteligência artificial, inclusão digital, formação tecnológica e desenvolvimento de ambientes de inovação.
Saída da UFF abre transição na universidade
A ida de Nóbrega para o governo também provoca uma mudança no comando da UFF. Conforme anunciado pela própria universidade, com o afastamento do reitor, o vice-reitor Fabio Passos assumirá a Reitoria até o encerramento do mandato vigente, garantindo a continuidade administrativa até a posse da próxima gestão.
A mudança já estava programada para coincidir com o processo de transição na universidade. Quando aceitou o convite, Nóbrega afirmou que seu afastamento ocorreria somente após o início formal dessa etapa.
Médico formado pela UFF e professor titular, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega acumula mais de 30 anos de experiência acadêmica. Antes de chegar à Reitoria, exerceu funções como pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação e vice-reitor. É pesquisador de Produtividade 1A do CNPq e criou, em 1994, o Laboratório de Ciências do Exercício (LACE).
Ao ser anunciado para o cargo, Nóbrega apontou como uma das prioridades a aproximação entre conhecimento acadêmico, políticas públicas e desenvolvimento econômico.
“A Secretaria é uma ponte estratégica para articular ensino, pesquisa e setor produtivo em prol do desenvolvimento econômico e social, sempre com foco nas pessoas”, afirmou na ocasião.
O novo secretário também defendeu a continuidade do apoio tanto à pesquisa aplicada quanto à ciência básica.
“Não existe ciência aplicada sem ciência básica”, afirmou, ao defender a integração entre universidades e diferentes setores do Estado.
Nova Secti terá inovação e transformação digital entre prioridades
O decreto publicado nesta quarta-feira dá forma administrativa ao projeto que vinha sendo discutido desde agosto. A Secti passa a ter unidades voltadas especificamente para inovação e ambientes produtivos, ciência e tecnologia e transformação digital.
Na prática, caberá à secretaria formular e coordenar políticas estaduais para pesquisa, desenvolvimento científico e inovação, além de estimular a aproximação entre universidades, centros de pesquisa e empresas.
A estrutura prevê ações de apoio a startups, incubadoras, aceleradoras e parques tecnológicos, além de políticas relacionadas à inteligência artificial. A pasta também deverá atuar na inclusão digital, na modernização tecnológica dos serviços públicos e na formação de profissionais para áreas ligadas às novas tecnologias.
A participação das universidades é um dos pilares do novo modelo. Quando anunciou a recriação da pasta, o governo informou que a estrutura teria maior interlocução com instituições acadêmicas, inclusive por meio de um comitê permanente de representantes das universidades e reuniões periódicas para discutir políticas públicas do setor.
Nóbrega já havia participado diretamente desse processo. No início de agosto, ele integrou, ao lado dos reitores Roberto Medronho, da UFRJ, Gulnar Azevedo, da Uerj, e Rosana Rodrigues, da Uenf, o grupo encarregado de apresentar propostas para a estrutura e as atribuições da secretaria.
Uerj, Faetec, Cecierj e Faperj ficam vinculadas à pasta
A reorganização mantém sob a Secti instituições estratégicas para a educação, pesquisa e desenvolvimento científico fluminense. Entre as entidades vinculadas estão a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), a Fundação Cecierj e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
O decreto também reorganiza o Gabinete do Secretário, assessorias, subsecretarias, superintendências e coordenações responsáveis pela execução das políticas da área.
Apesar da nova estrutura, o texto estabelece que a reorganização administrativa não deverá provocar aumento de despesas. A adequação dos cargos e funções será feita por meio de transformação, remanejamento e aproveitamento de estruturas existentes.
Com a nomeação de Nóbrega e a reorganização da Secti, o governo conclui uma mudança iniciada após a decisão de recriar uma secretaria específica para ciência e tecnologia. A pasta havia sido incorporada anteriormente à área de Desenvolvimento Econômico, decisão que gerou críticas de representantes de universidades, pesquisadores e parlamentares e acabou sendo revista pelo governo.








