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Benedita da Silva defende investigação no STF e aposta na PEC da Segurança

Em sabatina à Rádio Manchete, candidata ao Senado também prometeu defender os royalties do Rio e apoio ao fim da escala 6×1

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Foto: Caio Faraco

A candidata ao Senado Benedita da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (22), durante a Sabatina Manchete – Eleições 2026, que pretende priorizar a aprovação da PEC da Segurança Pública, defender os royalties do petróleo destinados ao Rio de Janeiro e apoiar a redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial. Entrevistada por Raphael de França, a petista também comentou a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e respondeu a questionamentos sobre a aliança eleitoral com Pedro Paulo (PSD).

Aos 84 anos, Benedita justificou a decisão de concorrer novamente destacando a experiência acumulada ao longo da trajetória como vereadora, deputada federal, senadora, vice-governadora, governadora e ministra. Caso seja eleita, ela encerrará o mandato aos 92 anos.

Segundo a candidata, sua presença no Senado serviria para auxiliar uma eventual administração de Eduardo Paes (PSD) no Governo do Rio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional.

— Essa mulher Benedita da Silva não consegue ficar parada — declarou.

PEC da Segurança como prioridade

Benedita apontou a PEC da Segurança Pública como uma das principais prioridades de um eventual mandato. Segundo ela, a proposta poderá ampliar a integração entre União, estados e municípios e criar uma espécie de “SUS da segurança”, com planejamento conjunto, qualificação dos profissionais e ações coordenadas.

A candidata afirmou que o novo modelo deve permitir a retomada de territórios controlados pelo crime organizado sem colocar os moradores das comunidades em risco. Ela criticou operações policiais que, em sua avaliação, ocorrem de maneira abrupta e sem preocupação suficiente com a proteção da população.

— A comunidade sofre muito com isso. As intervenções são abruptas e você não chega para prender. Na verdade, chega para ter ali o que eu chamo de execução — afirmou.

Para Benedita, moradores de favelas e comunidades precisam ter o mesmo direito à segurança e à liberdade de circulação garantido aos cidadãos de outras regiões da cidade.

Foto: Caio Faraco

Apoio ao fim da escala 6×1

Outro ponto defendido pela candidata foi o fim da escala de trabalho 6×1, com redução da jornada sem corte nos salários e garantia de dois dias de descanso. Benedita reconheceu a necessidade de uma transição e disse que os empresários não devem temer a mudança.

A petista comparou a resistência atual às críticas enfrentadas por direitos trabalhistas como carteira assinada, 13º salário, férias remuneradas e descanso semanal.

— Quando o trabalhador tem um momento para descanso e para a família, ele chega ao trabalho com muito mais disposição, e a produção é maior do que se pode imaginar — argumentou.

Benedita também destacou o impacto da jornada sobre as mulheres, que, segundo ela, acumulam mais horas de trabalho em razão das atividades domésticas e dos cuidados familiares.

Segurança e reindustrialização do Rio

Ao falar sobre desenvolvimento econômico, Benedita afirmou que a recuperação da indústria fluminense depende diretamente da melhoria da segurança pública. Na avaliação da candidata, empresas deixam de investir em locais onde não encontram segurança, infraestrutura e estabilidade.

Ela citou a perda de postos de trabalho nas indústrias do petróleo e naval, além do potencial da agricultura no interior, como áreas que podem contribuir para a retomada econômica do estado.

A candidata também prometeu atuar pela manutenção dos royalties do petróleo no Rio de Janeiro. Segundo Benedita, os recursos são fundamentais para equilibrar as finanças dos municípios, estimular a economia e financiar políticas de inclusão social.

— Os royalties são do Estado do Rio de Janeiro e vão ficar no Estado do Rio de Janeiro, porque o Rio precisa desses royalties — declarou.

Benedita acrescentou que o estado precisa aproveitar os recursos para diversificar sua economia diante da perspectiva futura de redução da produção de petróleo.

Crise no STF e impeachment de ministros

Questionada sobre a crise envolvendo o STF e as investigações do caso Banco Master, Benedita defendeu a apuração de eventuais irregularidades cometidas por integrantes da Corte, independentemente de quem esteja envolvido.

A candidata ressaltou que um processo de impeachment somente pode avançar depois do cumprimento de todas as etapas legais e da realização de uma investigação. Ainda assim, reconheceu que os embates internos no Supremo têm provocado desgaste institucional.

— A política tomou conta do STF. Contaminou — afirmou durante a entrevista.

Segundo Benedita, qualquer ministro que tenha cometido irregularidades deve ser responsabilizado “no rigor da lei e com justiça”. Ela defendeu transparência nas apurações e disse que o STF não pode funcionar como uma “caixinha de segredos”.

A petista também comparou o cenário atual ao processo político que projetou o ex-juiz Sergio Moro e alertou para possíveis impactos da crise sobre as eleições.

— Não pode ter um ministro preferido para investigar. Eu não tenho ministro de preferência. Todos os envolvidos têm que ser investigados — disse.

Representatividade feminina

Benedita destacou ainda a ausência de mulheres entre os atuais representantes do Rio no Senado. Para ela, a ampliação da participação feminina pode mudar a forma de fazer política e aumentar a capacidade de diálogo entre diferentes grupos.

A candidata recordou sua participação na Assembleia Nacional Constituinte e as dificuldades encontradas pelas primeiras parlamentares para adaptar o ambiente do Congresso à presença feminina.

Ela também apontou a dupla ou tripla jornada, a falta de financiamento eleitoral e as desigualdades históricas enfrentadas especialmente pelas mulheres negras como obstáculos à participação política.

— Se investirmos nas mulheres na política, teremos um novo Brasil — afirmou.

Foto: Caio faraco

Aliança com Pedro Paulo

Na parte mais delicada da entrevista, Benedita foi questionada sobre a aliança com Pedro Paulo, candidato do PSD ao Senado, diante das acusações de agressão feitas no passado pela ex-mulher do parlamentar.

A candidata respondeu que a composição foi construída a partir de um projeto político firmado entre PT e PSD e que não caberia ao seu partido escolher o nome indicado pela legenda aliada.

— Pedro Paulo tem a história de vida e a trajetória dele, e eu tenho a minha. Eu respondo pela minha trajetória. A pergunta para Pedro Paulo é feita a Pedro Paulo — declarou.

Benedita também reforçou que apoia Eduardo Paes na disputa pelo Governo do Rio e Lula na eleição presidencial. Ao defender o presidente das críticas relacionadas à idade, afirmou que o petista está preparado para exercer mais quatro anos de mandato.

No encerramento da sabatina, a candidata voltou a destacar sua experiência na vida pública e afirmou que pretende oferecer ao Rio de Janeiro uma representação firme no Senado. “Tenho 84 anos, muita disposição e conto com você”, concluiu.