Três em cada quatro brasileiros defendem a proibição das apostas online no país, segundo pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (23). O levantamento mostra que 75% dos entrevistados concordam com o fim das chamadas bets, enquanto 17% são contrários à medida e 8% não concordam nem discordam.
Os números indicam um aumento da rejeição às plataformas em comparação com abril. Naquele mês, 73% apoiavam a proibição, dois pontos percentuais abaixo do resultado atual. Ao mesmo tempo, a parcela contrária à medida recuou de 21% para 17%. Os que não se posicionam nem a favor nem contra passaram de 6% para 8%.
A pesquisa surge em um momento em que o futuro das apostas digitais passou a ocupar espaço relevante na campanha presidencial. Os candidatos apresentam propostas diferentes para o setor, que incluem desde a proibição de determinadas modalidades até restrições à publicidade e mecanismos destinados à prevenção do endividamento dos apostadores.
Maioria também enxerga prejuízos à sociedade
Outro recorte da mesma pesquisa reforça a percepção negativa sobre o setor. Para 59,9% dos entrevistados, as bets trazem somente prejuízos à sociedade. Outros 28,6% avaliam que elas provocam mais prejuízos do que benefícios. Somados, esses dois grupos representam 88,5% da amostra.
Apenas 0,7% afirmam que as apostas online trazem somente benefícios, enquanto 0,2% consideram que os benefícios superam os prejuízos. Outros 5,7% enxergam efeitos positivos e negativos em igual proporção, e 4,9% não souberam responder.
O levantamento também identificou apoio a outras medidas de restrição. Segundo os resultados divulgados, 81% concordam que as empresas do setor deveriam pagar mais impostos e 73% defendem limitações à publicidade. Além disso, 60% consideram que menores de idade têm acesso fácil às plataformas.
Bets entram no debate eleitoral
O avanço da rejeição ocorre em meio a uma discussão nacional sobre os efeitos econômicos e sociais das apostas. O número de brasileiros que já fizeram apostas nessas plataformas chegou a 43,8 milhões até agosto de 2026, o equivalente a 27% da população adulta, segundo dados do Ministério da Fazenda obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.
Na campanha eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem defendido novas restrições ao setor. O governo avalia alternativas que incluem limitar a publicidade, restringir determinadas modalidades e até adotar medidas mais amplas contra as apostas digitais. As propostas enfrentam resistência de empresas e de setores que recebem receitas de publicidade e patrocínio das plataformas.
A Atlas/Bloomberg entrevistou 5.015 pessoas da população adulta brasileira entre os dias 17 e 22 de setembro de 2026. O levantamento utiliza recrutamento digital aleatório e tem margem de erro de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa foi realizada com recursos do próprio instituto e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04739/2026.








