Um em cada cinco estudantes que ingressam no ensino médio no Brasil não conclui a etapa e deixa de estar matriculado até dois anos após o tempo previsto para terminá-la. O percentual, de 20%, supera a média de 12% dos países analisados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Os dados fazem parte do relatório Education at a Glance 2026. No Brasil, 79% dos ingressantes concluem o ensino médio dentro desse período, abaixo da média internacional de 85%. Outro 1% ainda permanece matriculado após os dois anos.
Abandono é maior entre os homens
O levantamento aponta uma diferença entre homens e mulheres. No Brasil, 23% dos homens deixam a educação geral de nível médio sem diploma até dois anos após o prazo previsto para a conclusão. A diferença entre as taxas de abandono de homens e mulheres é de oito pontos percentuais, uma das maiores entre os países analisados.
Segundo a OCDE, o abandono escolar costuma resultar de um processo gradual de afastamento dos estudos. Baixo desempenho, faltas frequentes e falta de apoio na escola estão entre os fatores que podem contribuir para a saída dos estudantes.
Parcela de jovens sem diploma diminuiu
Apesar do desafio na conclusão da etapa, a proporção de brasileiros de 25 a 34 anos sem ensino médio caiu de 35% em 2016 para 26% em 2024. Esse indicador considera uma faixa etária diferente da usada para acompanhar os novos ingressantes e, portanto, não deve ser comparado diretamente com a taxa de conclusão.
O relatório também mostra que, em 2024, 22% dos brasileiros de 18 a 24 anos não estudavam, trabalhavam ou participavam de programas de formação. Em 2016, eram 27%.
Investimentos em educação
O investimento brasileiro por estudante permanece muito distante do registrado nas economias que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em 2023, o Brasil destinou cerca de US$ 4,1 mil por estudante, considerando do ensino fundamental ao superior público, menos de um terço da média de US$ 13,6 mil observada entre os países da organização.
O levantamento, que reúne integrantes da OCDE, países em processo de adesão e nações do G20, mostra que o Brasil está próximo da parte inferior da comparação internacional. Entre 44 países com dados disponíveis sobre o indicador, apenas Colômbia, com US$ 3,4 mil, e Peru, com US$ 1,8 mil, registraram investimentos menores por estudante.
A distância também aparece no nível de escolaridade da população adulta. Apenas 22% dos brasileiros entre 25 e 64 anos concluíram o ensino superior, praticamente metade da média de 43% registrada nos países da OCDE.








