O Grande Rio chegou a 74 vítimas de balas perdidas em 2026, segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado. Entre janeiro e esta quarta-feira, 30 de setembro, 18 pessoas morreram e 56 ficaram feridas após serem atingidas por disparos.
A vítima mais recente foi Flávio de Abreu Lira, de 53 anos, gerente de uma farmácia. Ele estava a caminho do trabalho, em um ônibus do BRT, quando foi atingido por um tiro na manhã de quarta-feira, próximo à Estação Ventura, em Curicica, na Zona Sudoeste do Rio.
O disparo ocorreu durante uma operação da Polícia Militar na comunidade Dois Irmãos. Flávio foi atingido no abdômen. O ônibus seguiu até a Estação Asa Branca, onde os bombeiros foram acionados, mas encontraram o passageiro já sem vida. Ele deixa mulher e cinco filhos.
A Delegacia de Homicídios da Capital investiga o caso e busca identificar de onde partiu o tiro. Segundo a Polícia Civil, informações preliminares indicam que os disparos ocorreram de forma agrupada ou em rajada, característica que, de acordo com a corporação, não corresponde à atuação das forças de segurança. A origem do disparo, no entanto, ainda não foi oficialmente determinada.
De acordo com o Fogo Cruzado, ações e operações policiais responderam por 36% das vítimas de balas perdidas no Grande Rio neste ano. Foram 27 pessoas atingidas nesse contexto: cinco morreram e 22 ficaram feridas.
Violência na Zona Sudoeste
A região onde Flávio foi baleado concentra uma parcela significativa da violência armada registrada na capital. Segundo o levantamento do Fogo Cruzado, pelo menos 233 tiroteios ocorreram na Zona Sudoeste em 2026, deixando 219 pessoas baleadas.
Desse total, 117 morreram e 102 ficaram feridas. As ações policiais estiveram relacionadas a 47% dos tiroteios registrados na região. Nesses episódios, 51 pessoas morreram e outras 60 ficaram feridas.
Outra vítima, também atingida por uma bala perdida no dia 12 de agosto, dentro de um ônibus da linha 629, em Vicente de Carvalho. A fonoaudióloga, Aline de Siqueira Affonso, de 53 anos foi atingida no pescoço e segue internada em estado grave no Hospital Getúlio Vargas.
Dados divulgados nesta quinta-feira também mostram a dimensão da violência na área sob responsabilidade do 18º BPM, que inclui bairros de Jacarepaguá e Taquara. Entre janeiro e agosto, foram registradas 177 mortes violentas, número 58% maior que o registrado no mesmo período de 2025. As mortes por homicídio cresceram 69%, enquanto as mortes decorrentes de intervenção policial aumentaram 36%, segundo levantamento citado pela Folha de S.Paulo.
A região vive uma disputa territorial envolvendo grupos criminosos. A Polícia Militar afirma que mantém operações para conter confrontos e disputas entre facções.
O caso de Flávio acrescenta mais um episódio à estatística de vítimas que não participavam diretamente dos confrontos. A investigação da Polícia Civil continua para esclarecer a dinâmica do ataque e identificar o responsável pelo disparo que matou o passageiro.
O balanço do Fogo Cruzado considera casos registrados na Região Metropolitana do Rio de Janeiro e é atualizado a partir do monitoramento de ocorrências de violência armada.








