A ampla maioria dos brasileiros é favorável ao fim das plataformas de apostas esportivas e cassinos online no país. É o que aponta a nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (1º), que mostra que 78% dos entrevistados apoiam a proibição. Por outro lado, 18% se posicionam contra a medida e 4% não souberam responder.
O levantamento reflete o cenário imediatamente após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinar uma medida provisória (MP) que barrou as apostas online no país. O anúncio da MP ocorreu na sexta-feira (25), a apenas nove dias do primeiro turno das eleições municipais, colocando o tema no centro do debate político.
O Datafolha ouviu 2.506 pessoas em 152 municípios entre os dias 28 de setembro e 1º de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08039/2026.
Mulheres e evangélicos lideram a rejeição aos jogos
O apoio à proibição é majoritário em todos os recortes sociodemográficos, mas ganha força em grupos específicos:
- Gênero: Entre as mulheres, a defesa do veto às bets chega a 82%, superando o índice registrado entre os homens, que é de 74%.
- Religião: No segmento evangélico, 81% são favoráveis à proibição. Entre os católicos, o índice é de 76%.
- Polarização política: A medida agrada mais a base governista, mas também tem forte eco na oposição. O apoio ao fim das plataformas é de 85% entre os eleitores de Lula e de 70% entre os que declaram voto em Flávio Bolsonaro (PL).
Apoio ao veto disparou 13 pontos desde 2024
O sentimento de rejeição ao mercado de apostas cresceu de forma expressiva nos últimos dois anos. Em comparação com a pesquisa Datafolha de novembro de 2024, a parcela da população favorável à proibição saltou 13 pontos percentuais (passando de 65% para os atuais 78%).
Veja o histórico da evolução da opinião pública:
| Opinião sobre a proibição | Novembro / 2024 | Outubro / 2026 |
| A favor da proibição | 65% | 78% |
| Contra a proibição | 27% | 18% |
| Não sabe / Não opinou | 8% | 4% |
Em 2024, a resistência ao veto era concentrada principalmente entre os homens (34% contra a proibição) e entre jovens de 18 a 24 anos (37% contra).
O perfil dos apostadores e o endividamento
Um levantamento anterior do Datafolha, publicado em julho de 2026, apontou que 7% dos brasileiros adultos participavam ativamente de apostas esportivas ou cassinos online, enquanto a esmagadora maioria de 93% declarou não jogar.
O debate sobre as bets ganhou tração no país diante do alerta de economistas e profissionais de saúde sobre o superendividamento das famílias e o comportamento compulsivo (ludopatia). De acordo com o instituto, mesmo entre as pessoas que se consideravam endividadas, o índice de apostadores se manteve em 6%, alinhado à média nacional.
MP de Lula vira combustível na reta final da campanha
A assinatura da medida provisória que proibiu os jogos online foi um movimento estratégico do governo federal. Ao anunciar o veto, o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, teceu duras críticas à forma como as gestões anteriores conduziram a regulamentação do setor.
Ao puxar para si a agenda de combate às apostas, a gestão petista pautou a reta final da campanha eleitoral, capitalizando o apoio de uma parcela expressiva do eleitorado que enxerga o setor como um problema social e financeiro.








