A abstenção nas eleições presidenciais de 2026 chegou a 21,09%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 99,7% das urnas apuradas. O índice supera os 20,95% registrados no primeiro turno de 2022 e representa o maior percentual de eleitores ausentes em uma eleição presidencial desde 1998.
O resultado mantém a sequência de crescimento da abstenção observada nos últimos cinco primeiros turnos de eleições presidenciais. Apesar da alta, o percentual de 2026 ainda ficou abaixo dos 21,49% registrados há 28 anos, maior índice desde a redemocratização.
Em 2020, durante a pandemia de Covid-19, a abstenção chegou a 23,15% nas eleições municipais.
Ausência às urnas preocupa Tribunal Superior Eleitoral
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou neste domingo que a ausência dos eleitores é um problema acompanhado pelo tribunal. Segundo ele, a Justiça Eleitoral pretende intensificar medidas para ampliar o comparecimento no segundo turno.
“Não é o ideal. A ideia é aperfeiçoar e intensificar todos os mecanismos possíveis para diminuir isso no segundo turno”, declarou o ministro.
A evolução dos números mostra que, após uma redução entre 2002 e 2006, a abstenção voltou a crescer nas eleições presidenciais seguintes, mantendo a tendência em 2026.
Lula pode ser mais afetado pela ausência de eleitores
Pesquisadores apontam a abstenção como um dos fatores capazes de influenciar o resultado da disputa presidencial. Estudos indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ser mais prejudicado pela ausência de eleitores do que Flávio Bolsonaro (PL).
A avaliação considera que Lula concentra maior intenção de voto entre eleitores de baixa renda e pessoas mais velhas, grupos que apresentam maior tendência de não comparecer às urnas.
O impacto da abstenção, portanto, pode interferir na distribuição dos votos válidos e na disputa entre os candidatos no segundo turno.
Quase um em cada quatro eleitores não deu voto válido
Quando são considerados os votos brancos e nulos, além dos eleitores ausentes, o percentual de brasileiros aptos a votar que não registraram um voto válido para presidente chegou a aproximadamente 24,8%.
Com 99% das urnas apuradas, os votos brancos correspondiam a 1,84% e os nulos, a 2,93% do total. Somados à abstenção, os índices mostram que quase um em cada quatro eleitores não escolheu validamente um candidato à Presidência no primeiro turno.
O percentual supera os 24,44% registrados em 2022, mas permanece abaixo dos índices de 2018, quando o chamado “não voto” alcançou 27,33%, e de 2014, com 27,16%.
O maior patamar da série ocorreu em 1998, quando a soma de abstenções, votos brancos e nulos atingiu 36,17% do eleitorado apto.








