Um levantamento do Observatório do Clima aponta que a maior parte dos parlamentares eleitos para a próxima legislatura do Congresso Nacional terá baixo alinhamento com pautas ambientais e climáticas. Segundo a análise, cerca de sete em cada dez deputados federais e senadores apresentam posições consideradas distantes das propostas voltadas à preservação do meio ambiente.
O estudo utilizou o Índice de Convergência Ambiental, ferramenta que avalia a atuação e os votos dos parlamentares em temas relacionados ao clima e à agenda socioambiental. De acordo com os dados, 68,9% dos futuros integrantes da Câmara e do Senado foram classificados nas faixas de alinhamento baixo ou muito baixo.
Entre os 594 parlamentares que comporão o Congresso a partir de 2027, 201 receberam classificação de convergência muito baixa e 208 ficaram na faixa baixa. Já 185 parlamentares foram enquadrados nas categorias boa ou muito boa de alinhamento com a pauta ambiental.
No Senado, o cenário é ainda mais desfavorável para os defensores da agenda ambiental. Dos 81 senadores eleitos, 64 apresentam baixo ou muito baixo alinhamento com temas como conservação ambiental, combate às mudanças climáticas e adaptação das cidades aos eventos extremos.
Na Câmara dos Deputados, 345 dos 513 parlamentares foram classificados nas faixas baixa ou muito baixa. O Observatório do Clima atribui esse resultado, em parte, ao crescimento de partidos que tradicionalmente apresentam menor apoio às pautas ambientais.
Para a coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, a nova composição do Congresso pode dificultar a aprovação de medidas voltadas à proteção ambiental e aumentar o risco de retrocessos em áreas como fiscalização, preservação de florestas e combate às mudanças climáticas.
O levantamento foi elaborado com base em dados da plataforma Farol Verde, do Instituto Democracia e Sustentabilidade, além de informações oficiais da Câmara dos Deputados, do Senado, assembleias legislativas e governos estaduais.








