A Cedae Saúde identificou uma dívida de R$ 140 mil do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) com o plano de saúde. Segundo a atual administração da entidade, despesas médicas dele foram custeadas pelo convênio, embora Castro nunca tenha sido funcionário da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). O ex-governador foi notificado para pagar o valor.
Documentos obtidos pela TV Globo mostram que Castro foi incluído como associado durante a gestão de Erik Gualberto à frente da Cedae Saúde. Pelas regras da entidade, o benefício é destinado a funcionários da companhia, dependentes, aposentados e pensionistas. O plano do ex-governador foi cancelado em agosto, após cerca de um ano e meio de inadimplência.
O caso foi identificado durante uma auditoria que apontou indícios de desvios superiores a R$ 400 milhões na entidade. O relatório também identificou pagamentos de R$ 95 milhões a quatro empresas ligadas a uma offshore atribuída ao ex-presidente da Cedae Saúde. Os documentos devem ser encaminhados ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
A auditoria começou após a saída de Gualberto, em junho de 2026. Segundo a atual direção, arquivos com informações sobre fornecedores e registros contábeis do período entre dezembro de 2023 e abril de 2026 haviam sido apagados, mas os auditores conseguiram recuperar os dados. A administração também identificou diferenças nos repasses para custear o plano. Os valores mensais, que antes giravam em torno de R$ 20 milhões, passaram para cerca de R$ 6 milhões.
Em nota, Cláudio Castro afirmou que nunca pediu para entrar no plano. Segundo ele, a própria diretoria da entidade informou que tinha direito ao benefício e entregou a carteirinha para utilização dos serviços. Sobre a dívida, o ex-governador disse que não recebeu boletos nem cobranças mensais e que só soube do débito cerca de uma semana antes. Ele afirmou que vai pagar os R$ 140 mil cobrados.








