O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) sinalizou a empresários que poderá rever as regras do fim da escala de trabalho 6×1 caso seja eleito. A indicação foi feita um dia depois de o senador anunciar que votará a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada de trabalho.
A mudança de posição ocorre em meio à disputa eleitoral e à tentativa de conciliar o apoio dos trabalhadores com as preocupações do setor empresarial. Enquanto defensores da proposta destacam o aumento do tempo de descanso, representantes de empresas alertam para possíveis custos adicionais com a contratação de funcionários.
Segundo informações da CNN Brasil, a campanha de Flávio tem pedido um voto de confiança aos empresários, com a sinalização de que eventuais ajustes poderão ser discutidos a partir de 2027, caso ele assuma a Presidência.
A proposta ganhou destaque na campanha eleitoral e é uma das principais bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário de Flávio no segundo turno. Até recentemente, integrantes da oposição criticavam a redução da jornada e defendiam alternativas consideradas mais flexíveis para as empresas.
O apoio de Flávio à PEC foi anunciado na terça-feira (13), após uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Apesar de declarar voto favorável, o senador manteve ressalvas sobre os efeitos econômicos da medida e defendeu que o governo federal ajude a compensar os custos para os empregadores.
“Meu voto vai ser conforme a vontade da maioria do povo trabalhador brasileiro”, afirmou Flávio a jornalistas, ao justificar seu posicionamento.
PL aposta em força no Congresso para negociar mudanças
A possibilidade de rever as regras está relacionada à composição do Congresso Nacional a partir de 2027. Segundo o texto original, o PL terá 28 senadores e 121 deputados federais, o que amplia a capacidade de articulação do partido, mas não garante a aprovação de mudanças constitucionais.
Uma eventual alteração na Constituição precisaria de apoio de três quintos dos deputados e senadores, em dois turnos de votação em cada Casa. Por isso, qualquer mudança dependeria de negociações com outras legendas.
O debate sobre o fim da escala 6×1 se tornou um dos principais temas trabalhistas da disputa presidencial. De um lado, os defensores da proposta apontam benefícios para o descanso, a saúde e a convivência familiar dos trabalhadores. De outro, representantes do setor empresarial demonstram preocupação com o aumento dos custos operacionais e a necessidade de novas contratações.








