A troca de comando na Prefeitura de Japeri, na Baixada Fluminense, provocou uma ampla reformulação no primeiro escalão do governo municipal. Dez dias após a cassação de Fernanda Ontiveros (PT), o novo prefeito, Carlos Januário (Solidariedade), exonerou 16 dos 21 secretários, substituindo mais de 70% da equipe que integrava a administração anterior.
As mudanças foram realizadas ao longo da primeira semana de gestão de Januário, que assumiu oficialmente a prefeitura em 13 de outubro. Entre as áreas atingidas estão Saúde e Educação, duas secretarias mencionadas nas denúncias que contribuíram para a abertura do processo de cassação da ex-prefeita.
Além das alterações no secretariado, o prefeito determinou uma revisão de contratos e procedimentos administrativos. A medida resultou no encaminhamento de 14 processos à Polícia Civil, após a identificação de possíveis irregularidades pela nova gestão.
Auditorias identificam suspeitas em contratos
Assim que assumiu o Executivo municipal, Carlos Januário ordenou levantamentos sobre contratos, pagamentos e processos administrativos da prefeitura.
A análise inicial apontou indícios de irregularidades em procedimentos realizados durante a gestão de Fernanda Ontiveros. Diante das suspeitas, 14 processos administrativos foram enviados à Polícia Civil para investigação.
Segundo o novo prefeito, órgãos como o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e o Tribunal de Contas haviam solicitado informações à administração municipal que não teriam sido respondidas pela gestão anterior.
A revisão busca esclarecer a situação dos contratos e identificar eventuais problemas na utilização de recursos públicos. As suspeitas ainda dependem de investigação e não representam comprovação de responsabilidade criminal dos antigos gestores.
As exonerações também foram acompanhadas de medidas para reorganizar o funcionamento interno da prefeitura, incluindo a entrega de documentos e a revisão de acessos aos sistemas administrativos.
Cassação ocorreu por oito votos a três
Fernanda Ontiveros perdeu o mandato em 10 de outubro, após a Câmara Municipal de Japeri aprovar sua cassação por oito votos a três.
O processo político-administrativo analisou denúncias de supostas irregularidades em contratos da prefeitura, incluindo licitações da Secretaria Municipal de Educação e uma obra pública no bairro São Jorge.
Na mesma sessão, Carlos Januário, que também respondia a um pedido de cassação, foi absolvido por unanimidade pelos vereadores.
Com a saída de Fernanda, o então vice-prefeito assumiu oficialmente a administração municipal três dias depois.








