O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 250 milhões para o projeto da Tree Agroflorestal S.A. (Tree+) de recuperação de 22,2 mil hectares de áreas degradadas, incluindo mais de 6,6 mil hectares de Mata Atlântica. Os recursos são do Fundo Clima, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), e vão impulsionar a recuperação ambiental e produtiva da região Norte do Rio de Janeiro.
A Tree+ é uma empresa brasileira do setor de bioeconomia dedicada à recuperação de paisagens degradadas por meio de projetos de restauração ecológica, manejo florestal responsável e geração de créditos de carbono. Atualmente, a empresa conta com mais de 4 mil hectares implantados, dos quais cerca de 50% são exclusivamente dedicados à recuperação de matas nativas, resultado de parceria com o BNDES.
O novo financiamento apoiará ações de conservação física e hidrológica do solo e a restauração florestal com espécies nativas da Mata Atlântica, a partir de técnicas selecionadas conforme o grau de degradação dos terrenos. De acordo com o projeto, as ações ambientais usarão o sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF), que combina, numa mesma área, atividades agropecuárias de forma integrada e sustentável.
“Apoiar projetos de recuperação em escala, como o desenvolvido pela Tree+, é essencial para enfrentar eventos climáticos extremos, proteger a biodiversidade e promover emprego e renda nos territórios”, ressaltou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.
A Tree+ reconhece os produtores como parceiros estratégicos e promove oportunidades de diversificação e fortalecimento das atividades econômicas no campo por meio de soluções produtivas sustentáveis, como sistemas de ILPF, sistemas agroflorestais e práticas de manejo que favorecem a recuperação da produtividade e a valorização das propriedades rurais.
Durante a implantação do projeto, estima-se a geração de mais de 800 empregos diretos e indiretos, envolvendo produção de mudas, coleta de sementes, implantação e manutenção florestal, monitoramento ambiental e serviços técnicos especializados. A iniciativa contempla ainda ações de inclusão produtiva feminina, com parcerias voltadas à capacitação profissional e ao fortalecimento do empreendedorismo local.
Essa abordagem amplia os benefícios econômicos para os produtores e incentiva a adesão voluntária à restauração. O Fundo Clima também apoiará atividades de manejo e conservação do solo, como subsolagem e implantação de caixas de contenção.
Combate à escassez de água no Norte Fluminense
As ações reforçam o caráter de mitigação e adaptação climática do projeto, fortalecendo a regulação hídrica e a resiliência do território a eventos extremos. O projeto também contribui para aumentar a disponibilidade de água numa área que sofre com escassez hídrica, como o Norte do estado do Rio de Janeiro.
As práticas de manejo e conservação do solo, inclusive nas áreas produtivas, contribuem ainda para a recuperação das áreas de preservação permanente (APPs) e reservas legais.
Mata Atlântica
A Mata Atlântica abriga cerca de 20 mil espécies vegetais, aproximadamente 35% das espécies brasileiras, muitas delas endêmicas. Segundo o MapBiomas, é o bioma brasileiro com menor cobertura vegetal: resta apenas 24% da cobertura florestal original, e somente metade dessa área ainda se encontra totalmente preservada.
O bioma cobre 15% do território nacional, em 17 estados, e abriga 72% da população brasileira.








