O sequestro de ônibus por criminosos para a construção de barricadas tem aumentado a preocupação dos rodoviários no Rio de Janeiro. Segundo o Sindicato dos Rodoviários, cerca de 50 coletivos foram sequestrados entre janeiro e outubro de 2026. A entidade também contabiliza 322 pedidos de afastamento da profissão, relacionados, segundo o sindicato, aos impactos psicológicos da violência.
No início de outubro, dois homens foram presos pela Polícia Militar após um ônibus ser sequestrado e atravessado na Estrada dos Bandeirantes, em Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio. Situações como essa, além dos assaltos frequentes nos coletivos, têm levado motoristas a pedir transferência de linha e até a deixar a profissão.
De acordo com Antônio Bustamante, porta-voz do sindicato, os ônibus são sequestrados principalmente em represália a operações policiais e usados como barricadas ou levados para dentro de comunidades. Ele afirma que o medo e a pressão emocional têm contribuído para o afastamento dos profissionais.
Bustamante também destaca o aumento da procura por atendimento psicológico oferecido pelo sindicato a motoristas e familiares. Segundo ele, o número de atendimentos, que era de 25 em junho do ano passado, chegou a 80 até maio deste ano e atualmente está em cerca de 110 por semana.
O presidente da entidade, José Maria, cobra o reforço do patrulhamento nas vias, especialmente na Avenida Brasil, por onde circula grande parte das linhas de ônibus da cidade.
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), citados pelo sindicato, apontam que o estado do Rio registrou 4.449 roubos a ônibus em 2025. A maior parte dos casos ocorreu entre 4h30 e 7h e entre 17h e 21h30, principalmente no trecho entre Campo Grande e Caju.
Para José Maria, os trabalhadores enfrentam uma situação cada vez mais difícil, com ônibus sequestrados, incendiados e submetidos a mudanças de itinerário por causa da atuação de criminosos. O dirigente defende medidas efetivas de segurança pública para proteger os rodoviários e os passageiros.








