A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) realizam, nesta quarta-feira (28), uma operação contra uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho, investigada por controlar a venda de gás de cozinha e extorquir comerciantes em comunidades dominadas pelo tráfico.
Batizada de Dominus, a ação busca cumprir nove mandados de prisão e 44 de busca e apreensão. As medidas incluem o bloqueio de mais de R$ 350 milhões em ativos financeiros e o sequestro de bens dos investigados.
Segundo o balanço divulgado, quatro mandados de prisão foram cumpridos, dois contra suspeitos que já estavam no sistema prisional. Os outros dois alvos presos são Adriano Pereira Vasconcelos, conhecido como Júnior Playboy, e Michel da Silva Gama, o Polegar.
As diligências se concentram em São Gonçalo e também ocorrem em Itaboraí, Duque de Caxias, Niterói e na capital. Entre os alvos estão residências e estabelecimentos comerciais, principalmente distribuidoras e revendedoras de gás.
Comerciantes eram obrigados a pagar “metas do gás”
Iniciada em 2024, a investigação aponta que o grupo usava o domínio armado da facção para impedir a concorrência e impor regras aos comerciantes. Em algumas comunidades, os estabelecimentos eram obrigados a comprar gás de fornecedores ligados à organização. Em outras, precisavam fazer pagamentos periódicos para continuar funcionando.
As cobranças, conhecidas como “metas do gás”, seriam uma fonte de financiamento do grupo. Segundo a polícia, o esquema tinha operadores comerciais, responsáveis pela distribuição, arrecadadores e integrantes ligados ao controle dos territórios.
A apuração reuniu depoimentos de vítimas, diligências e análises de dados telefônicos e telemáticos autorizadas pela Justiça. Comunicações recuperadas pelos agentes indicariam cobranças, planos de expansão territorial e contatos entre comerciantes e integrantes do tráfico.
Empresas e terceiros eram usados para ocultar patrimônio
Os investigadores também identificaram indícios de movimentações patrimoniais incompatíveis com a renda declarada de suspeitos e do uso de empresas em nome de terceiros para movimentar recursos e ocultar bens, principalmente nos setores de distribuição de gás e construção civil.
Um dos principais investigados é apontado pela polícia como responsável por prestar apoio logístico a lideranças do Comando Vermelho, incluindo a locação de imóveis para Edgard Alves de Andrade, o Doca.
A operação é conduzida pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), com apoio de outras unidades da Polícia Civil e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). As investigações continuam para localizar outros ativos e esclarecer a participação dos envolvidos.








