O número de denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho chegou a 3.396 em todo o país em 2026, até as dez horas desta quinta-feira (29 de outubro), segundo dados do Ministério Público do Trabalho (MPT). O total já supera o registrado nas eleições de 2022, quando o órgão recebeu mais de 3.373 denúncias.
O Rio de Janeiro contabiliza 252 registros e ocupa a terceira posição no ranking nacional, atrás de São Paulo, com 620 denúncias, e Minas Gerais, com 351.
O aumento das notificações se concentrou em outubro. Foram cerca de 2,6 mil denúncias ao longo do mês, um crescimento de aproximadamente 371% em relação a setembro, quando o MPT recebeu 552 relatos. O volume representa cerca de 77% de todas as denúncias contabilizadas neste ano até o momento.
A média foi de aproximadamente 90 registros por dia durante os primeiros 29 dias de outubro.
Os dados também mostram uma concentração de denúncias após a votação. Antes do primeiro turno, foram registrados 991 casos. Entre o primeiro e o segundo turnos, o número chegou a 946. Já no período posterior ao segundo turno, foram contabilizadas 1.459 denúncias até as dez horas desta quinta-feira.
O cenário ocorre em meio à circulação de publicações nas redes sociais que incentivam a demissão ou a recusa de contratação de trabalhadores por suas preferências políticas. Também ganharam espaço listas de boicote a empresas apontadas como apoiadoras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (25).
Governo Federal e a Justiça do Trabalho prometem endurecer as punições
Diante do aumento dos relatos, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, anunciou nesta quarta-feira (28) a criação de uma força-tarefa nacional para fiscalizar denúncias de ameaças de demissão, perseguição e outras formas de assédio eleitoral contra trabalhadores.
O assédio eleitoral acontece quando o empregador ou alguém que exerça influência sobre o trabalhador tenta interferir em sua escolha política por meio de pressão, constrangimento ou ameaça. Entre as práticas estão ameaçar demitir funcionários, reduzir salários, rebaixar cargos ou exigir participação em atividades de campanha no ambiente profissional.
Além das denúncias recebidas pelo MPT, a Justiça do Trabalho registrou 863 processos relacionados ao tema desde maio de 2023. Desse total, 233 foram cadastrados em 2026.
Segundo dados parciais do Centro de Pesquisas Judiciárias da Justiça do Trabalho, 135 processos foram registrados entre janeiro e 4 de outubro, data do primeiro turno. Os números indicam crescimento das ações judiciais no período eleitoral, mas o registro de um processo não significa que a prática denunciada tenha sido comprovada pela Justiça.
O MPT ressalta que o painel de monitoramento é dinâmico e pode apresentar alterações conforme novas denúncias são recebidas e cadastradas. O órgão acompanha os registros para identificar situações de pressão política no trabalho e adotar as medidas cabíveis.
O número de denúncias em 2026 também representa um aumento de aproximadamente 1.600% em relação a 2018, segundo os dados divulgados.
Possíveis sanções às empresas
o governo estuda restringir o acesso a crédito público para empregadores envolvidos em práticas comprovadas de assédio eleitoral e criar uma lista pública de infratores. Essas medidas foram anunciadas como propostas em avaliação, não como sanções já aplicadas a todas as empresas denunciadas.
Situação no Rio de Janeiro
Em balanço divulgado pelo MPT-RJ, com dados até 27 de outubro, o estado já havia registrado 195 denúncias, acima das 177 contabilizadas em todo o ano de 2022. O município do Rio concentrava 110 registros naquele levantamento. Os números são anteriores ao balanço nacional informado para a manhã de 29 de outubro.
Onde denunciar
Trabalhadores que sofrerem ou presenciarem assédio eleitoral podem procurar o Ministério do Trabalho e Emprego, pelo canal oficial de denúncias, ou o Ministério Público do Trabalho.








