Três ônibus foram sequestrados e utilizados como barricadas no início da tarde desta sexta-feira (30), em Irajá, na Zona Norte do Rio. Um carro de passeio e um veículo da Light também foram usados para bloquear vias da região. A ação criminosa teria sido uma represália à ocupação da Polícia Militar no Complexo da Serrinha, em Madureira.
Um dos coletivos foi atravessado na Avenida Monsenhor Félix, próximo à estação de metrô. Outro foi colocado na Avenida Martin Luther King Jr., enquanto o terceiro, da empresa Flores, foi utilizado para interditar a pista em Colégio.
Segundo o Rio Ônibus, as linhas que circulam pelas vias começaram a sofrer impactos por volta das 12h30.
A ocorrência seria uma reação à operação da Polícia Militar no Complexo da Serrinha, conjunto de comunidades controlado pela mesma facção criminosa que atua em áreas de Irajá. A ocupação foi anunciada após criminosos incendiarem um ônibus e sequestrarem outros coletivos para utilizá-los como barricadas durante uma operação policial na quinta-feira (29).
De acordo com a PM, a ocupação no complexo será mantida por tempo indeterminado. A ação, realizada pelo 9º BPM (Rocha Miranda), tem como objetivos combater o tráfico de drogas e localizar veículos roubados.
Durante a operação, criminosos lançaram artefatos contra os policiais utilizando drones. Três pessoas foram presas, e uma delas, segundo a corporação, possuía mais de 20 anotações criminais.
Na quinta-feira (29), a Avenida Ministro Edgard Romero, uma das principais vias da Zona Norte, chegou a ser interditada durante a operação na comunidade da Primavera, no Complexo da Serrinha.
A Avenida Monsenhor Félix, em Irajá, também foi fechada nos dois sentidos, nas proximidades da Avenida Pastor Martin Luther King Júnior.
Durante a ação, imagens de veículos encontrados na comunidade foram divulgadas, e alguns proprietários reconheceram seus automóveis. Um motorista contou que viu o próprio carro sendo colocado em um reboque durante uma reportagem e procurou a polícia para saber como poderia recuperá-lo.
“Eu vi meu carro na televisão. Estava subindo em um reboque e fui até a polícia [saber] os procedimentos para poder pegar meu carro de volta. A minha prestação está vencendo agora, na segunda-feira. Não fiz nem metade do dinheiro. E eles, com meu celular, ainda levaram a outra parte que tinha”, relatou.
Outro proprietário também demonstrou preocupação com a possibilidade de não recuperar o veículo, que estava sem seguro e sem rastreador.
“Eu estou com esperança de recuperar meu bem. Eu estou com cinco meses com ele na rua. Não estava segurado, não tem rastreador. Estou correndo atrás aí”, afirmou.
Ainda durante a operação, os policiais militares localizaram um bunker construído embaixo de um pet shop.








