Por determinação da Justiça, a empresa pública Mobi-Rio deixará de operar, a partir deste domingo (1º de novembro), a linha 634 (Bananal x Saens Peña). O serviço, que conecta a Ilha do Governador à Tijuca, retorna ao controle do Consórcio Internorte. A mudança encerra uma intervenção municipal iniciada em maio deste ano, motivada pela precariedade da frota da Transportes Paranapuan.
O itinerário é considerado estratégico para a Zona Norte do Rio. Diariamente, a linha atende a milhares de moradores e conecta os passageiros à Ilha do Fundão, à Rodoviária do Rio e a bairros populosos como Bancários, Jardim Guanabara, Bonsucesso, Manguinhos, Benfica, São Cristóvão e Praça da Bandeira.
Histórico de falhas na segurança e vistorias
A Prefeitura do Rio de Janeiro havia assumido o controle da linha 634 em maio, após alegar formalmente que a Paranapuan — integrante do Consórcio Internorte — não reunia condições técnicas mínimas para garantir a segurança dos usuários.
O cronograma inicial previa que a Paranapuan reassumisse parte do serviço em agosto. No entanto, fiscais da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) reprovaram a empresa em uma vistoria técnica. A fiscalização constatou que diversos veículos não tinham condições de circular e identificou ônibus que sequer pertenciam ao consórcio responsável. Diante das irregularidades, a Mobi-Rio foi mantida na gestão da linha até a nova reviravolta judicial.
Perda de frota nova e fim do serviço 24h preocupam usuários
Sob a administração provisória da Mobi-Rio, a linha 634 passou por reestruturação. O serviço operava em regime de 24 horas e contava com uma frota de 25 ônibus novos, ar-condicionado e tecnologia moderna. Com a devolução do serviço ao Consórcio Internorte, ainda não há confirmação oficial sobre como será a escala de horários ou quais empresas do grupo assumirão os novos turnos.
O legado digital da linha 634
A linha 634 também entrou para a história da mobilidade urbana do Rio de Janeiro por ser o projeto-piloto do fim do dinheiro em espécie nos ônibus municipais. Sob a gestão da Mobi-Rio, ela foi a pioneira na exigência exclusiva de bilhetagem eletrônica, aceitando apenas os cartões Jaé e Riocard (este último restrito aos usuários do Bilhete Único Intermunicipal). A medida, inicialmente restrita ao trajeto Bananal-Tijuca, serviu de modelo e foi posteriormente estendida pela Prefeitura para as demais linhas de ônibus da capital.
O Consórcio Internorte e a Secretaria Municipal de Transportes não detalharam como será a transição operacional e o impacto direto na frequência das viagens a partir deste domingo.








