As mortes do piloto de asa-delta Luiz Eduardo Rodrigues dos Santos, de 45 anos, e do turista argentino Adrian Guillermo Arismendi, de 26, após um acidente na Praia de São Conrado, na Zona Sul do Rio, reforçam o histórico de ocorrências fatais envolvendo praticantes de voo livre na região. Em um intervalo de aproximadamente um ano, foram registrados quatro acidentes com mortes, que deixaram seis vítimas.
O acidente mais recente aconteceu na manhã de segunda-feira (2). Luiz e Adrian chegaram a ser socorridos por equipes do Corpo de Bombeiros e encaminhados ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiram. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, os dois deram entrada na unidade em parada cardiorrespiratória.
Em depoimento à polícia, José Bruno Batalha Menescal Filho, vice-presidente do Clube São Conrado de Voo Livre (CSCVL), relatou que a asa-delta conduzida por Luiz fez uma curva a baixa altura, escorregou e acabou colidindo com a rampa de subida do campo de pouso, na Praia de São Conrado.
Segundo o representante do clube, o piloto praticava voo livre havia aproximadamente dez anos e era um integrante antigo da entidade. Ele havia conquistado o nível de instrutor cerca de um ano antes, depois de cumprir as etapas exigidas para exercer a função.
Para o turista argentino, no entanto, aquela era a primeira experiência com o esporte. Adrian havia chegado ao Rio no domingo (1º), acompanhado de um grupo de amigos.
A investigação está a cargo da 15ª DP (Gávea). Até o momento, não foram divulgadas informações sobre os sepultamentos das vítimas.
Histórico de acidentes fatais
O acidente desta segunda-feira é o quarto com mortes registrado na região em aproximadamente um ano. Considerando as quatro ocorrências, seis pessoas perderam a vida em atividades de voo livre em São Conrado.
Em agosto deste ano, o coronel aposentado do Exército Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima, de 63 anos, morreu depois de cair no mar enquanto praticava parapente. Na ocasião, o Clube São Conrado de Voo Livre informou que uma pipa com cerol ou linha chilena teria atingido o equipamento durante o voo, provocando a queda.
Segundo o clube, o militar teria tentado proteger outro praticante e acabou sendo atingido pela linha. Álvaro também teve atuação em instituições públicas. Foi diretor do Centro de Programas Integrados da Fundação Nacional de Artes (Funarte), entre 2020 e 2021, e comandante do Centro de Estudos de Pessoal e Forte Duque de Caxias, entre 2013 e 2016.
Em fevereiro, outras duas pessoas morreram em um acidente de parapente na mesma região: o piloto brasileiro Rodolfo Pascoal Ladeira e a turista norte-americana Jenny Colon Rodriguez. Rodolfo era um dos nomes conhecidos do esporte no país e havia conquistado, no ano passado, os títulos das categorias Serial e Open Class do Pré-Mundial de Parapente, realizado em Castelo, no Espírito Santo.
Já em novembro de 2025, o bicampeão brasileiro de asa-delta Philip Haegler morreu após sofrer uma queda durante um voo de parapente em São Conrado. Imagens do acidente mostraram uma asa-delta passando próximo ao equipamento do piloto. Ao tentar desviar, Philip perdeu o controle e colidiu contra um edifício de 11 andares. Com o impacto, ele caiu no hall do prédio.
Em homenagem ao atleta, a Prefeitura do Rio determinou que a área de pouso localizada entre a Autoestrada Lagoa-Barra e a Praia do Pepino, com 6.390 metros quadrados, recebesse o nome de Campo de Pouso Phil Haegler.
Voo livre é considerado esporte de alto risco
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) classifica o voo livre, praticado com asa-delta ou parapente, como uma modalidade de esporte radical e de alto risco, que depende diretamente das condições meteorológicas e d








