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Ex-marido de galerista assassinado no Rio recebe prisão perpétua nos EUA

Daniel Sikkema foi condenado por planejar a morte de Brent Sikkema, assassinado com 18 facadas no Jardim Botânico, em janeiro de 2024.

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Foto: Reprodução

Quase três anos depois do assassinato do galerista americano Brent Sikkema, de 75 anos, encontrado morto dentro de casa, no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio, o caso ainda aguarda desfecho na Justiça brasileira. O ex-marido da vítima, Daniel Sikkema, de 56 anos, apontado como mandante do crime, recebeu pena de prisão perpétua nos Estados Unidos. Já o cubano Alejandro Triana Prevez, acusado de executar o assassinato, será julgado no Rio no dia 25 de fevereiro de 2027.

A data do julgamento foi definida pela juíza Tula Corrêa de Mello, do III Tribunal do Júri do Rio. Alejandro está preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste. Daniel permanece sob custódia das autoridades americanas, em um centro de detenção no Brooklyn, em Nova York. Ainda não há previsão de julgamento do ex-marido na Justiça brasileira.

Brent foi assassinado em janeiro de 2024, dentro de seu sobrado. Segundo as investigações, Daniel teria contratado Alejandro para matar o galerista durante uma disputa conturbada de divórcio. Na madrugada do crime, o cubano teria entrado na residência, pegado uma faca na cozinha e atacado a vítima enquanto ela dormia. Brent recebeu 18 golpes.

Durante o julgamento nos Estados Unidos, os promotores apresentaram transferências bancárias, registros de ligações e mensagens que, segundo a acusação, comprovariam a ligação entre Daniel e Alejandro. Ao todo, foram identificadas 11 transferências. A investigação apontou que o cubano teria recebido cerca de 9 mil dólares antes e depois do assassinato.

A defesa de Daniel contestou as acusações e afirmou que os valores eram pagamentos por serviços prestados anteriormente por Alejandro ao casal, em Cuba. Os advogados também disseram que o ex-marido não tinha comportamento violento. Os argumentos, porém, não convenceram os jurados.

Em maio de 2026, após duas semanas de julgamento em um tribunal federal de Manhattan, Daniel foi considerado culpado por três crimes relacionados ao assassinato por encomenda. No dia 4 de novembro, o juiz federal Edgardo Ramos determinou a prisão perpétua.

 

Processo no Brasil

No Brasil, Daniel e Alejandro foram denunciados pelo Ministério Público em fevereiro de 2024. Entretanto, a primeira fase do processo só foi concluída em maio de 2026, depois da produção de provas, da realização de depoimentos e da análise dos elementos reunidos durante a investigação.

Com a decisão de pronúncia, a Justiça reconheceu que existem indícios suficientes para que os acusados sejam julgados pelo Tribunal do Júri. A diferença no andamento dos processos dos dois países é explicada, entre outros fatores, pelas etapas previstas na legislação brasileira, pela troca de informações internacionais e pelos recursos apresentados pelas defesas.

Segundo o advogado criminalista Diego Rodrigo Serafim, o julgamento de homicídios no Brasil acontece em duas etapas. Primeiro, um juiz avalia se existem provas do crime e indícios de participação dos acusados. Depois, os jurados decidem se eles são culpados ou inocentes.

O especialista também destaca que a condenação de Daniel nos Estados Unidos não significa que ele será automaticamente considerado culpado no Brasil. Os processos são independentes e seguem legislações diferentes. As provas reunidas pelas autoridades americanas podem ser utilizadas na Justiça brasileira, desde que respeitem as exigências da legislação nacional.

 

Situação dos acusados

Enquanto aguarda os próximos passos do processo, Daniel continua preso nos Estados Unidos. A defesa pediu à Justiça americana que ele seja transferido para uma unidade penitenciária de segurança média, próxima de Nova York, para facilitar o contato com a família.

Os advogados alegaram que Daniel mantém contato com o filho adolescente, que o visita a cada dois ou três meses. Também destacaram que ele participou de cursos e trabalhou como tutor de inglês durante a prisão. A defesa, no entanto, não teve o pedido de transferência confirmado.

Já Alejandro permanece preso no Rio e será levado a julgamento em fevereiro de 2027. Caso seja condenado, a tendência é que cumpra a pena no sistema penitenciário brasileiro.

O advogado de Alejandro, Fabio Manoel, afirmou que a condenação de Daniel nos Estados Unidos reforça a responsabilidade do ex-marido pelo assassinato. O defensor também declarou ter feito um acordo informal com o FBI para evitar a extradição de seu cliente em troca de colaboração com as investigações. As autoridades americanas, porém, não confirmaram a existência nem os termos desse suposto acordo.

A defesa de Daniel foi procurada para comentar os desdobramentos do caso, mas não respondeu.