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PF marca depoimentos simultâneos de advogados ligados a Bolsonaro

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Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF) agendou para a próxima terça-feira (1º), no mesmo horário, os depoimentos de três advogados ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, investigados por possível obstrução de justiça. A informação foi publicada nesta quarta-feira (26) pelo blog da jornalista Bela Megale, em O Globo.

Os interrogatórios ocorrerão na Superintendência da PF em São Paulo e envolvem Paulo Bueno e Fábio Wajngarten (na foto em destaque) — ambos da equipe de defesa de Bolsonaro — e Eduardo Kuntz, que representa o ex-assessor presidencial Marcelo Câmara. A marcação simultânea dos depoimentos é uma medida da PF para impedir que os investigados combinem versões previamente.

A oitiva foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após novas revelações feitas por Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, em depoimento à PF na última segunda-feira (24). Cid afirmou que os advogados tentaram influenciar sua delação premiada e pressionar sua família para que ele trocasse de defesa técnica.

“Fábio Wajngarten, Paulo Bueno e Luiz Eduardo de Almeida Santos Kuntz tentaram convencer familiares do declarante para que trocasse de defesa técnica”, declarou Cid aos investigadores.

Segundo a apuração, a esposa de Mauro Cid, Gabriela, relatou à PF que gravou uma conversa com Wajngarten entre agosto e setembro de 2023, mas posteriormente apagou o conteúdo. Já a mãe do ex-ajudante de ordens, Agnes, contou ter sido procurada por Eduardo Kuntz em três ocasiões entre agosto e dezembro do mesmo ano. Ela descreveu as abordagens como “constrangedoras” e afirmou que compreendia que o objetivo era forçar a substituição do advogado do filho por um profissional vinculado ao núcleo de defesa de Bolsonaro.

A nova frente de investigação busca esclarecer se houve tentativa coordenada de controle sobre os depoimentos e delações no âmbito das investigações sobre a suposta tentativa de golpe de Estado e articulações antidemocráticas após as eleições de 2022.