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Governo federal anuncia restauração do Armazém Docas André Rebouças no Rio

Espaço será dedicado à memória da população negra e à valorização da herança africana

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Reprodução

O governo federal celebrou termo nesta terça-feira (16) para restaurar o Armazém Docas André Rebouças, em frente ao Cais do Valongo, na Pequena África, na região central do Rio de Janeiro. Com investimento de R$ 86,2 milhões, o espaço se tornará um dos maiores complexos da América Latina dedicados à memória da população negra.

O Termo de Execução Descentralizada, firmado com o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foi assinado pelo Ministério da Cultura (MinC), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Fundação Cultural Palmares (FCP).

O espaço abrigará o Centro de Interpretação do Patrimônio Mundial Cais do Valongo, com ações dedicadas à valorização da herança africana e do legado do engenheiro André Rebouças, responsável pelo projeto original do espaço.

O acordo vai ampliar o Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana (LAAU), responsável pela preservação e estudo de mais de 1 milhão de peças arqueológicas, incluindo as encontradas durante as escavações do Sítio Arqueológico Cais do Valongo, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, ressaltou que o restauro fará um resgate histórico à memória do André Rebouças, um homem negro que marcou a história da engenharia no século 19 ao entregar várias obras.

“Para nós, faz parte do reconhecimento das colaborações do povo afro-brasileiro ao desenvolvimento da nação e nessa luta de combate contra o racismo”, afirmou a ministra.

O presidente do Iphan, Leandro Grass, lembrou que o armazém inaugurado em 1871 foi o primeiro prédio construído no Rio de Janeiro sem mão de obra escravizada.

O local passou por diversas reformas, mas precisa hoje de um restauro mais consistente, não só do ponto de vista estrutural, mas também em relação ao seu uso.

“Vamos ter aqui uma ocupação permanente que possa fortalecer a cultura afro-brasileira, além de resgatar a ancestralidade”, disse Grass.

A previsão é que o centro cultural seja aberto ao público após 36 meses a partir do início das obras, que devem começar até o fim do semestre de 2026.