Mais de meio século após a última missão tripulada à Lua, a Nasa inicia 2026 com um dos marcos mais simbólicos da história da exploração espacial. A missão Artemis 2 levará, pela primeira vez desde 1972, uma tripulação além da órbita terrestre rumo ao satélite natural da Terra, incluindo a primeira mulher a participar de uma missão lunar.
Diferentemente das missões do programa Apollo, a Artemis 2 não prevê pouso na superfície. O objetivo é realizar um sobrevoo tripulado ao redor da Lua, etapa considerada essencial para validar sistemas, tecnologias e procedimentos que serão usados em futuras missões de pouso e permanência humana no solo lunar.
A tripulação é formada por quatro astronautas: o comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover e a especialista de missão Christina Hammock Koch, todos da Nasa, além do canadense Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. Christina Koch será a primeira mulher a viajar em uma missão lunar, representando um avanço histórico na participação feminina na exploração do espaço profundo.
O grupo será o primeiro a voar a bordo do foguete Space Launch System (SLS) e da cápsula Orion, desenvolvidos para missões de longa duração além da órbita baixa da Terra. Segundo a Nasa, a Artemis 2 será o teste definitivo desses sistemas em condições reais de espaço profundo.
A agência espacial norte-americana ainda não divulgou a data exata do lançamento, mas informou que a missão deve ocorrer até abril deste ano. A viagem terá duração aproximada de dez dias e partirá do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, nos Estados Unidos.
Nos dois primeiros dias, a cápsula Orion permanecerá em órbita terrestre para a checagem completa dos sistemas. Em seguida, o módulo de serviço, construído pela Agência Espacial Europeia, realizará a chamada injeção translunar, manobra responsável por impulsionar a nave em direção à Lua. A viagem até o satélite deve durar cerca de quatro dias.
Durante o trajeto, os astronautas contornarão o lado oculto da Lua e alcançarão um ponto situado aproximadamente 7.400 quilômetros além do satélite, a mais de 370 mil quilômetros da Terra. A trajetória em formato de “oito” permitirá testar comunicações, navegação e suporte à vida em um ambiente distante do planeta.
Um dos aspectos centrais da missão é o uso da chamada trajetória de “livre retorno”, que aproveita os campos gravitacionais da Terra e da Lua para trazer a nave de volta sem necessidade de grandes manobras adicionais. Segundo a Nasa, essa estratégia aumenta a segurança da missão e reduz o consumo de combustível.
O retorno à Terra será marcado por uma reentrada em altíssima velocidade e temperatura na atmosfera. A missão será concluída com a amerissagem da cápsula no Oceano Pacífico, próxima à costa de San Diego, na Califórnia, onde equipes da Nasa e do Departamento de Defesa farão o resgate da tripulação.
O sucesso da Artemis 2 é considerado decisivo para a continuidade do programa Artemis, que prevê, nas próximas fases, o retorno de astronautas à superfície lunar e a construção de uma presença humana sustentável no satélite. A última missão tripulada à Lua foi a Apollo 17, em dezembro de 1972, encerrando o ciclo histórico do programa Apollo e abrindo, agora, caminho para uma nova era da exploração espacial.






