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Lula buscou mediação diplomática antes de ataque dos EUA à Venezuela

Presidente tentou evitar escalada militar e governo brasileiro avalia riscos na fronteira e no fluxo migratório

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Reprodução

O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que forças americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro ocorreu semanas depois de o Brasil tentar costurar uma saída diplomática para a crise.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia se colocado publicamente à disposição para atuar como mediador e defender uma solução negociada, em meio ao aumento da tensão entre Washington e Caracas.

Na manhã deste sábado (03), Trump afirmou que Maduro e a esposa foram capturados e retirados do país por via aérea após a operação militar. O governo americano não informou o destino do líder venezuelano nem a base legal da captura.

Em Brasília, a reação foi imediata: equipes do governo federal passaram a se reunir para levantar informações detalhadas antes de qualquer posicionamento público, diante da gravidade do episódio e de seus possíveis impactos regionais.

Tentativa de mediação brasileira

Em 18 de dezembro, Lula declarou que havia oferecido tanto a Trump quanto a Maduro a mediação do Brasil para evitar uma escalada militar. Disse estar à disposição dos dois governos e afirmou que trabalharia para um acordo diplomático, e não para um confronto armado entre países da região.

Na ocasião, o presidente brasileiro relatou ter alertado Trump de que conflitos não se resolvem com tiros e manifestou dúvidas sobre os interesses por trás da pressão americana sobre Caracas, mencionando hipóteses como petróleo e minerais estratégicos. Também afirmou que buscou de Maduro clareza sobre o que esperaria do Brasil em uma eventual mediação.

Alertas sobre risco de guerra

Dois dias depois, em 20 de dezembro, Lula voltou a abordar o tema e afirmou que uma intervenção na Venezuela poderia resultar em uma catástrofe humanitária. Reiterou a intenção de conversar novamente com o presidente americano e disse ter orientado o chanceler Mauro Vieira a acompanhar de perto a evolução do cenário.

Nos bastidores, a disposição do Planalto para atuar como ponte diplomática foi acompanhada de avaliações mais duras sobre o risco de um conflito prolongado. Em 8 de dezembro, o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, afirmou que uma invasão poderia gerar um cenário semelhante ao do Vietnã, com potencial para transformar a América do Sul em zona de guerra.

Contato direto com Caracas

Durante o período de maior tensão, também houve interlocução direta com o governo venezuelano. Lula e Maduro mantiveram uma conversa telefônica breve em 2 de dezembro, na qual trataram da situação política e de segurança no Caribe e na América do Sul, em meio ao reforço da presença militar americana na região.

A ligação ocorreu após um longo período sem diálogo direto entre os dois presidentes, em um contexto de relações já desgastadas, mas marcado pela preocupação brasileira com a possibilidade de uma ação militar de grandes proporções.

Fronteira e segurança em alerta

Uma das principais inquietações do governo brasileiro diante dos ataques é a extensa fronteira terrestre com a Venezuela, que supera os 2 mil quilômetros de extensão. Avaliações feitas no Palácio do Planalto e em áreas da segurança indicam que a instabilidade no território venezuelano pode ter efeitos diretos sobre a região Norte do Brasil.

O receio não se limita ao aumento do fluxo migratório, fenômeno que já ocorre há anos em razão da crise econômica e social no país vizinho. Autoridades brasileiras também veem o risco de que a intensificação do conflito facilite a entrada, pela fronteira, de pessoas ligadas a organizações criminosas, especialmente ao narcotráfico.

Fluxo migratório e resposta do Estado

Diante do agravamento do cenário, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o Sistema Único de Saúde está preparado para absorver eventuais impactos provocados pelo conflito. Em mensagem pública, disse que o Brasil cuidará de quem precisar ser cuidado em solo brasileiro.

Padilha foi o primeiro integrante do primeiro escalão a se manifestar após os ataques, em meio à mobilização do governo federal para avaliar os desdobramentos da ofensiva americana.

Na manhã deste sábado, uma reunião de emergência foi convocada para discutir a operação militar e a captura de Maduro. Segundo a diplomacia brasileira, a prioridade é reunir informações precisas antes de qualquer posição oficial, enquanto o país se prepara para lidar com um cenário regional ainda marcado por incertezas.