Caracas amanheceu neste sábado envolta em um clima de aparente tranquilidade, mas marcada por profunda incerteza, após o ataque aéreo dos Estados Unidos que atingiu o país durante a madrugada e resultou no anúncio da captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Por volta das 7h45, a capital apresentava poucas pessoas nas ruas, estabelecimentos fechados e sinais evidentes de tensão entre os moradores.
Durante a madrugada, redes sociais e aplicativos de mensagens foram praticamente as únicas fontes de informação para a população. Moradores de Caracas e de estados como La Guaira, onde fica o principal porto do país, e Aragua, que abriga uma grande instalação militar, compartilharam vídeos e imagens dos ataques.
Relatos da madrugada
Moradores relataram explosões intensas entre 2h e 4h30 da manhã. Em La Guaira, uma moradora afirmou que o ataque atingiu a Escola Naval, provocando um estrondo que acordou a vizinhança, seguido de incêndios e sucessivas detonações visíveis à distância. Os relatos reforçaram a percepção de que os bombardeios atingiram áreas estratégicas e militares.
Pouco depois do fim dos ataques, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a captura de Maduro e de sua esposa, ampliando a sensação de choque e indefinição no país.
Cobrança por informações
Após o anúncio, integrantes do alto escalão do governo venezuelano passaram a exigir esclarecimentos sobre o paradeiro do presidente. A vice-presidente Delcy Rodríguez, o ministro da Defesa Vladimir Padrino e o ministro do Interior Diosdado Cabello se manifestaram cobrando uma prova de vida de Maduro e de Cilia Flores.
Rodríguez declarou que o governo desconhece onde estão o presidente e a primeira-dama e exigiu do governo americano uma confirmação imediata sobre a situação de ambos.
Calma oficial e temor nas ruas
Em pronunciamento, Cabello pediu que a população mantivesse a calma e confiasse na liderança do governo diante do ataque. Apesar do apelo, o clima nas ruas era de apreensão. Nas primeiras horas da manhã, havia poucos pedestres circulando, e a maioria das lojas permanecia fechada.
Com o passar das horas, moradores começaram a sair de casa em busca de mercados abertos para comprar alimentos e de postos de gasolina para abastecer veículos, temendo desabastecimento diante do estado de emergência decretado pelo governo.
Estado de emergência
A Venezuela declarou estado de comoção e emergência em todo o território nacional, mas ainda não detalhou quais medidas concretas serão adotadas durante o período de exceção. O acesso a áreas atingidas pelos bombardeios tem sido restringido, com militares impedindo a passagem de civis.
Imagens exibidas por canais estatais mostraram danos no aeroporto militar de La Carlota, em Caracas, além de impactos em unidades de transporte e em um caminhão antimísseis, indicando a intensidade dos ataques.
Mortos e áreas isoladas
Cabello ainda confirmou a morte de militares e civis em decorrência da ofensiva, mas afirmou que o número de vítimas ainda está sendo contabilizado. As autoridades mantêm isolamento em pontos estratégicos da capital e de outras regiões atingidas.
A dificuldade de acesso às áreas bombardeadas tem limitado a circulação de informações detalhadas sobre os danos humanos e materiais causados pelos ataques.
Reação diplomática e mobilização
O chanceler venezuelano Iván Gil solicitou ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas uma reunião de emergência para denunciar o que o governo classifica como agressão contra a Venezuela e pedir o cessar imediato dos ataques armados.
Paralelamente, funcionários públicos e militantes chavistas se dirigiram a prédios governamentais em diferentes regiões do país para protestar contra a ofensiva americana e exigir a devolução de Maduro. Em transmissões da emissora estatal, manifestantes afirmaram que permanecerão mobilizados enquanto o presidente não for libertado.
Apesar dos apelos oficiais por calma, o sentimento predominante entre os venezuelanos ao amanhecer foi o de incerteza sobre o futuro imediato do país, em meio a ruas esvaziadas, comércio fechado e uma população que tenta se preparar para possíveis desdobramentos da crise.






