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Brasil mantém fronteira com a Venezuela aberta e reforça segurança após ataque dos EUA

Governo afirma que área está sob controle, mantém tropas em alerta e condena ofensiva americana

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Reprodução

O governo brasileiro reforçou neste sábado (03) que a fronteira com a Venezuela está aberta e sob controle, apesar da escalada de tensão provocada pelo ataque anunciado pelos Estados Unidos contra o país vizinho.

A posição foi detalhada após uma reunião de emergência convocada pelo Itamaraty, realizada para avaliar os impactos políticos, diplomáticos e de segurança da ofensiva.

A reunião foi coordenada virtualmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contou com a participação do ministro da Defesa, José Múcio, da secretária-geral do Itamaraty, Maria Laura da Rocha, da secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, e do chanceler Mauro Vieira, que participou por videoconferência.

Fronteira aberta e sob controle

Em pronunciamento, o ministro da Defesa enfatizou que a fronteira com a Venezuela está aberta e que há efetivo suficiente para garantir a segurança da região.

Segundo ele, o Brasil mantém cerca de 2.300 militares em Roraima e aproximadamente 10 mil na Amazônia, em áreas próximas à fronteira, com capacidade para responder a qualquer necessidade.

A fala ocorre após medidas preventivas adotadas mais cedo diante da incerteza inicial provocada pelos ataques, mas o governo agora ressalta que a circulação está normalizada e monitorada.

Monitoramento diplomático

Durante a reunião, Mauro Vieira relatou contatos com chanceleres de outros países e informou que, até o momento, não há registro de brasileiros feridos em decorrência da ofensiva.

Maria Laura da Rocha afirmou que o acompanhamento diplomático segue ativo e que as informações continuam sendo atualizadas por canais oficiais.

Uma nova reunião da cúpula do governo está prevista para o fim da tarde, com a participação de Lula, que se encontra na Restinga da Marambaia, no litoral do Rio de Janeiro.

Condenação da ofensiva

As manifestações ocorrem após Lula condenar publicamente o ataque dos Estados Unidos. Em nota divulgada mais cedo, o presidente afirmou que os bombardeios em território venezuelano ultrapassam uma linha inaceitável, representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e criam um precedente perigoso para a comunidade internacional.

Segundo Lula, a ação viola o direito internacional, ameaça o multilateralismo e remete aos piores momentos de interferência externa na América Latina e no Caribe. O presidente defendeu uma reação firme da comunidade internacional por meio da Organização das Nações Unidas e reiterou a disposição do Brasil para atuar em favor do diálogo.

Anúncio dos Estados Unidos

O ataque foi anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que forças americanas realizaram uma ofensiva de grande escala contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro, retirando-o do país por via aérea. Washington não informou o destino de Maduro nem a base legal da operação.

Relatos e vídeos divulgados nas redes sociais mostram helicópteros militares sobrevoando Caracas durante a madrugada, explosões em pontos da capital e interrupções pontuais no fornecimento de energia elétrica.

Postura militar e foco humanitário

As Forças Armadas brasileiras adotaram orientação de neutralidade em relação à ofensiva americana, deixando a condução do tema a cargo do Itamaraty. A Marinha mantém o patrulhamento regular da Amazônia Azul, e a Força Aérea segue com a vigilância do espaço aéreo, sem mudanças de protocolo.

Na fronteira terrestre, o Exército reforçou as equipes da Operação Acolhida para atendimento a refugiados, mas sem envio de novas tropas. Nos bastidores, a avaliação é de que, apesar de a fronteira permanecer aberta, a prioridade do governo brasileiro continua sendo a preservação da segurança, a resposta humanitária e o acompanhamento cuidadoso dos desdobramentos diplomáticos da crise.