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María Corina pede posse imediata de Edmundo González após captura de Maduro

Oposição pressiona por transição enquanto Trump diz avaliar futuro da Venezuela

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Reprodução

A líder oposicionista venezuelana María Corina Machado pediu neste sábado que Edmundo González Urrutia assuma imediatamente o poder na Venezuela. A declaração ocorreu horas depois de forças dos Estados Unidos capturarem o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, durante uma ofensiva militar que atingiu Caracas e outras regiões do país.

Foi a primeira manifestação pública de María Corina após a retirada de Maduro do poder. Em comunicado, ela afirmou que a oposição está preparada para fazer valer o mandato popular e assumir o comando do país.

Reivindicação de posse

Na declaração, María Corina afirmou que os cidadãos elegeram Edmundo González como legítimo presidente da Venezuela nas eleições de 2024 e que ele deve assumir imediatamente seu mandato constitucional. Segundo a líder oposicionista, González também deve ser reconhecido como comandante-chefe das Forças Armadas por todos os oficiais e soldados.

Edmundo González concorreu às eleições após María Corina ser impedida de disputar o pleito pela Justiça venezuelana. Após a votação, Maduro declarou vitória, mas a oposição afirmou ter tido acesso às atas eleitorais que indicariam maioria dos votos para González. O resultado oficial nunca foi comprovado com a divulgação dessas atas, e a vitória de Maduro não foi reconhecida por parte significativa da comunidade internacional.

Pronunciamento do candidato

Exilado na Espanha, Edmundo González também se manifestou pelas redes sociais. Em mensagem direcionada aos venezuelanos, disse que o país vive horas decisivas e afirmou estar pronto para liderar uma grande operação de reconstrução nacional.

A fala reforçou a pressão interna e externa para que a oposição assuma o controle político da Venezuela após a captura de Maduro.

Ataque e captura

Após meses de especulações e operações militares no Caribe, os Estados Unidos lançaram neste sábado uma ofensiva de grande escala contra a Venezuela. A ação incluiu bombardeios em pontos estratégicos de Caracas e terminou com a captura de Maduro e de sua esposa, que foram levados aos Estados Unidos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a operação em suas redes sociais e afirmou que o casal foi retirado do país por via aérea. Segundo ele, os dois estão a caminho de Nova York, a bordo de um navio da Marinha americana posicionado no Caribe.

Trump disse ainda que assistiu à captura ao vivo, por meio de transmissão feita pelos agentes que participaram da missão, e revelou que o ataque estava inicialmente previsto para quatro dias antes, mas foi adiado por causa das condições climáticas.

Futuro indefinido

Apesar das declarações da oposição, Trump afirmou que ainda está decidindo o que acontecerá com a liderança da Venezuela. Questionado sobre a possibilidade de María Corina assumir o poder com apoio dos EUA, respondeu que o futuro do país segue em avaliação e mencionou também a vice-presidente Delcy Rodríguez como uma das figuras em cena.

Na mesma entrevista, o presidente americano declarou que os Estados Unidos passarão a estar fortemente envolvidos com a indústria petrolífera venezuelana, embora não tenha detalhado como se dará esse envolvimento. Ele acrescentou que a China continuará recebendo petróleo da Venezuela.

Explosões e estado de emergência

Durante a madrugada, uma série de explosões atingiu Caracas. Moradores relataram tremores, barulho de aeronaves em baixa altitude e correria nas ruas. Parte da capital ficou sem energia elétrica, principalmente nas proximidades da base aérea de La Carlota. Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram colunas de fumaça saindo de instalações militares.

Após o início da ofensiva, o governo venezuelano divulgou um comunicado afirmando que o país estava sob ataque e decretou estado de comoção exterior em todo o território nacional. O texto afirma que forças sociais e políticas foram convocadas para ativar planos de mobilização e que a Venezuela se reserva ao direito de exercer legítima defesa, além de pedir solidariedade a países da América Latina e do Caribe.

Pressão crescente sobre Maduro

A captura de Maduro ocorreu após meses de escalada. Em agosto, os Estados Unidos elevaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão do presidente venezuelano e reforçaram a presença militar no Mar do Caribe. Inicialmente, Washington afirmava que a mobilização tinha como foco o combate ao narcotráfico, mas, com o tempo, autoridades americanas passaram a indicar que o objetivo final era derrubar o governo chavista.

Trump e Maduro chegaram a conversar por telefone em novembro, mas as tratativas não avançaram. No mesmo período, os EUA classificaram o Cartel de los Soles como organização terrorista e acusaram Maduro de liderar o grupo. Nas semanas que antecederam o ataque, navios petroleiros venezuelanos foram apreendidos e um bloqueio naval foi imposto, ampliando a pressão que culminou na ofensiva deste sábado.