Ao afirmar que os Estados Unidos vão permanecer na Venezuela até que ocorra uma transição política, o presidente Donald Trump deixou explícito o principal interesse de Washington no país sul-americano: o petróleo. A Venezuela concentra cerca de 17% das reservas mundiais, consideradas as maiores do planeta.
Em pronunciamento após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, Trump disse que grandes empresas petrolíferas americanas devem entrar no país, investir bilhões de dólares e recuperar a infraestrutura do setor, hoje bastante degradada.
Segundo o presidente, a retomada das operações permitiria não apenas a exploração eficiente das reservas, mas também a geração de receitas para a economia venezuelana sob nova administração.
Interesse econômico e presença das petroleiras
Atualmente, a companhia americana Chevron já atua na Venezuela por meio de uma autorização especial concedida pelo governo dos EUA, mesmo em meio às sanções impostas ao país nos últimos anos.
Para Trump, a entrada de outras grandes petroleiras americanas significaria uma reconfiguração do setor energético venezuelano, com impacto direto no mercado internacional de petróleo.
O interesse dos Estados Unidos ficou ainda mais evidente em dezembro, quando o governo americano iniciou um bloqueio naval contra petroleiros venezuelanos, alegando que a medida buscava cortar recursos que financiam organizações ligadas ao narcotráfico.
Bloqueio naval e discurso político
Na ocasião, autoridades americanas acusaram a cúpula chavista de operar em parceria com esses grupos criminosos. Trump, porém, também citou diretamente os ativos do país ao justificar a ação militar.
Em discurso, o presidente afirmou que a Venezuela estava cercada pela maior frota naval já reunida na América do Sul e que a pressão só cessaria após a devolução de ativos que, segundo ele, teriam sido “roubados” dos Estados Unidos.
As declarações ampliaram a tensão diplomática e reforçaram a percepção de que o petróleo é peça central na estratégia americana para a região.
Nacionalização e saída das empresas dos EUA
Durante décadas, empresas americanas participaram da extração e comercialização do petróleo venezuelano. Esse cenário mudou no início dos anos 2000, quando o então presidente Hugo Chávez promoveu a nacionalização do setor.
A medida levou à saída da maioria das companhias estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos, e marcou uma ruptura nas relações energéticas entre os dois países.
Após a apreensão de petroleiros venezuelanos, integrantes do governo americano passaram a relacionar o atual movimento de Washington com a reversão desse processo iniciado há mais de duas décadas.
Peso estratégico no cenário global
Trump tem defendido abertamente a retomada da hegemonia dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental, com uma política externa inspirada na Doutrina Monroe. A estratégia de segurança nacional divulgada em 2025 destaca a contenção de potências extrarregionais, como China, Rússia e Irã.
Atualmente, a China é a principal compradora do petróleo venezuelano, o que criou uma relação de dependência econômica e abriu espaço para investimentos chineses no país.
Para analistas, o controle das reservas venezuelanas daria aos EUA uma vantagem estratégica sem precedentes, permitindo influenciar a oferta global de petróleo, impactar preços internacionais e fortalecer aliados, ao mesmo tempo em que enfraquece adversários no tabuleiro geopolítico.






