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Governadores de oposição celebram ação dos EUA e prisão de Maduro

Aliados de Bolsonaro exaltam Trump e associam episódio a eleições no Brasil, enquanto Eduardo Leite critica intervenção armada

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Reprodução

A ação do governo dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro neste sábado (3), gerou forte repercussão política no Brasil. Governadores alinhados à oposição comemoraram a iniciativa liderada pelo presidente americano Donald Trump e apontaram o episódio como símbolo de liberdade e derrota de regimes autoritários na região.

Entre os que se manifestaram estão Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, Ratinho Junior (PSD), do Paraná, Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro. Todos são próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O grupo classificou o regime chavista como ditatorial e afirmou que a prisão de Maduro representa um marco histórico para o povo venezuelano, que enfrenta há anos uma grave crise política, econômica e humanitária.

Tarcísio relaciona Venezuela ao cenário eleitoral brasileiro

Em publicação nas redes sociais, Tarcísio de Freitas elogiou a operação americana, criticou Maduro e fez referência direta às eleições brasileiras previstas para outubro. Segundo ele, ditaduras não caem de forma repentina, mas corroem instituições ao longo do tempo, penalizando principalmente a população.

O governador paulista também lembrou declarações passadas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já chamou Maduro de “companheiro”, e afirmou esperar que, assim como na Venezuela, a esquerda seja derrotada nas urnas no Brasil ainda este ano.

Apesar de ser apontado como presidenciável, Tarcísio tem reiterado publicamente que sua prioridade é buscar a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Pela legislação eleitoral, ele teria de renunciar ao cargo até o início de abril caso decidisse disputar a Presidência da República.

Ratinho, Caiado, Zema e Castro exaltam Trump e falam em liberdade

O governador do Paraná, Ratinho Junior, afirmou que a população venezuelana estava há décadas sob opressão de “tiranos antidemocráticos” e parabenizou Trump pela decisão que, segundo ele, libertou o país vizinho. Em tom entusiasmado, escreveu mensagens exaltando a democracia e a liberdade.

Ronaldo Caiado declarou que o dia 3 de janeiro deve entrar para a história como a data da libertação do povo venezuelano, oprimido por mais de 20 anos pela “narcoditadura chavista”. Para ele, a ação abre caminho para democracia, prosperidade e reconstrução institucional.

Romeu Zema, por sua vez, disse torcer para que a queda de Maduro permita à Venezuela reencontrar estabilidade e desenvolvimento. O governador mineiro afirmou que o chavismo isolou o país do mundo, destruiu a economia e forçou milhões de cidadãos a emigrar.

Cláudio Castro também celebrou a iniciativa americana, afirmando que o povo venezuelano tem motivos para comemorar. Segundo ele, Maduro violou direitos humanos, perseguiu opositores e não respeitou valores democráticos, defendendo ainda o combate ao narcoterrorismo na América Latina.

Eduardo Leite faz contraponto e critica intervenção armada

Em posição distinta dos demais governadores, Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul, reconheceu que o regime de Maduro é ditatorial e viola direitos humanos, mas condenou o uso da força pelos Estados Unidos. Para ele, a violência entre nações soberanas fere princípios básicos do direito internacional.

Leite afirmou estar preocupado com a escalada de tensão na região e defendeu que conflitos sejam resolvidos por meio do diálogo e do respeito à soberania dos países. Segundo o governador gaúcho, a América Latina precisa de paz, cooperação e soluções diplomáticas, e não de intervenções armadas.

O posicionamento evidencia a divisão entre lideranças da direita brasileira diante do episódio: enquanto a maioria celebrou a ação americana como símbolo de libertação, Leite adotou um discurso mais cauteloso, focado na estabilidade regional e nos princípios diplomáticos internacionais.