As Forças Armadas da Venezuela reconheceram neste domingo a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país, um dia após a prisão de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos. O aval militar foi anunciado pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, em pronunciamento transmitido pela televisão estatal.
A medida endossa a decisão do Tribunal Supremo de Justiça, que determinou que Rodríguez assuma o comando do Executivo por um período inicial de 90 dias, diante da ausência forçada do presidente. Segundo o tribunal, o objetivo é assegurar a continuidade administrativa do governo e a defesa integral da nação em meio à crise institucional.
Decisão judicial e sucessão
Na determinação, a Suprema Corte afirmou que irá deliberar sobre o enquadramento jurídico definitivo do poder no país, avaliando os mecanismos legais para preservar o funcionamento do Estado, a administração pública e a soberania nacional enquanto Maduro permanecer fora do cargo. A Constituição venezuelana prevê que, em caso de afastamento do presidente, a vice assuma interinamente.
Durante o pronunciamento, Padrino afirmou que integrantes da equipe de segurança de Maduro teriam sido mortos durante a ofensiva americana e classificou a ação como extremamente violenta. O ministro também fez um apelo para que a população retome gradualmente as atividades econômicas, laborais e educacionais nos próximos dias, apesar do cenário de instabilidade.
Sinalização de Washington
No mesmo dia, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou que Washington está disposta a trabalhar com os líderes que permanecem no poder na Venezuela, desde que adotem o que chamou de decisões corretas. Segundo ele, o governo americano avaliará os próximos passos com base nas ações tomadas internamente pelo novo comando.
Rubio afirmou ainda que, caso essas decisões não sejam tomadas, os Estados Unidos manterão diversas ferramentas de pressão. O chefe da diplomacia americana disse considerar prematuro falar em eleições no país neste momento, argumentando que há um longo caminho a ser percorrido antes de qualquer processo eleitoral.
Reações internacionais
A prisão de Maduro provocou reações imediatas de aliados históricos da Venezuela. A Coreia do Norte classificou os ataques dos Estados Unidos como a forma mais grave de violação de soberania e acusou Washington de agir de maneira arbitrária, descrevendo o episódio como uma consequência catastrófica para o país sul-americano.
A China também se manifestou, pedindo a libertação imediata de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Pequim defendeu que a crise seja resolvida por meio do diálogo e da negociação, argumentando que a deportação do casal violou normas do direito internacional. O governo chinês reiterou que disputas internas venezuelanas devem ser resolvidas sem interferência externa.
Maduro sob custódia nos EUA
Nicolás Maduro chegou a um centro de detenção em Nova York no fim da noite de sábado, após ser capturado em Caracas. Antes disso, ele foi levado sob custódia a uma unidade da Agência Antidrogas dos Estados Unidos, onde passou por procedimentos de identificação. Imagens do deslocamento foram divulgadas por canais oficiais do governo americano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que avalia os próximos passos em relação à Venezuela e disse que o país será conduzido por um grupo ainda em formação até uma eventual transição de poder.
Já a procuradora-geral Pam Bondi anunciou que Maduro e Cilia Flores foram formalmente acusados em um tribunal de Nova York por crimes que incluem conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de armas e explosivos.






