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Mesmo com medida protetiva, mulher é morta por ex-namorado no Centro de São Paulo

Crime foi registrado por câmeras de segurança; suspeito descumpriu ordem judicial, fugiu após o ataque e foi preso no dia seguinte

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Reprodução

Uma mulher de 39 anos morreu após ser esfaqueada pelo ex-companheiro na noite de sábado (3), no bairro da Liberdade, região central de São Paulo, mesmo estando amparada por uma medida protetiva de urgência. O agressor, identificado como José Vilson Ferreira, de 29 anos, descumpriu a decisão judicial, atacou a vítima em via pública e fugiu do local após o crime.

Carla Carolina Miranda da Silva chegou a ser socorrida e levada ao Hospital das Clínicas da USP, onde passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos.

Imagens de câmeras de segurança que circulam nas redes sociais mostram o momento do crime. No vídeo, o agressor aparece caminhando pela rua e se escondendo atrás de um veículo.

Quando Carla passa pela calçada, ele se aproxima armado. A vítima tenta fugir, mas é alcançada e atingida por pelo menos cinco golpes de faca. Segundo o boletim de ocorrência, ela sofreu dois ferimentos no braço esquerdo, um no braço direito e outros dois superficiais no abdômen.

Histórico de violência e medida protetiva

De acordo com o boletim de ocorrência, Carla já havia denunciado José Vilson por lesão corporal, ameaça e injúria em janeiro de 2025. Na ocasião, a Justiça concedeu uma medida protetiva de urgência que proibia o agressor de se aproximar ou manter contato com a ex-namorada. No momento do ataque, a ordem judicial ainda estava em vigor.

O agressor, que trabalha como chapeiro, fugiu após o crime, mas foi localizado e preso cerca de 12 horas depois em um imóvel no bairro do Jabaquara, na Zona Sul. A ação contou com o apoio do Garra/DOPE (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos). Um irmão do suspeito também foi detido por suspeita de ajudar na fuga.

Em publicação nas redes sociais, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, afirmou que a atuação da Polícia Civil foi “firme, técnica e no tempo certo” e destacou que crimes contra mulheres terão resposta rápida do Estado.

O caso é investigado pela 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), no Centro da capital.

Aumento dos casos de feminicídio em São Paulo

O crime ocorre num contexto de aumento nos índices de violência contra a mulher em São Paulo. Em 2025, a capital registrou o maior número de feminicídios desde o início da série histórica, em 2015. Entre janeiro e novembro do ano passado, foram 58 mulheres mortas na cidade, um aumento de 70% em relação ao mesmo período de 2023.

Estatísticas do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) também apontam um crescimento de 26% no número de medidas protetivas concedidas nos últimos dois anos, superando a marca de 106 mil pedidos atendidos em 2025.