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Trump avalia “ativamente” compra da Groenlândia e não descarta opção militar, diz Casa Branca

Governo dos EUA afirma que discussão envolve segurança no Ártico e provoca reação da Dinamarca e de aliados da Otan

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Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia “ativamente” com sua equipe a compra da Groenlândia da Dinamarca, segundo informou nesta quarta-feira a Casa Branca, que não descartou a opção militar para que os Estados Unidos anexem esse território rico em recursos e de grande interesse geoestratégico. A declaração ocorre após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmar a parlamentares sobre a intenção de compra do presidente, e não de invasão do território, e que deve se reunir com o governo dinamarquês na próxima semana para discutir o assunto. O temor de uma tomada do território ocorre na esteira da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, no sábado, em uma ação militar americana em Caracas.

— É algo que o presidente e sua equipe de segurança nacional estão debatendo ativamente neste momento — respondeu a secretária de imprensa, Karoline Leavitt, a uma pergunta sobre uma possível oferta dos Estados Unidos para comprar o território autônomo.

Trump, acrescentou Leavitt, “considera que é do melhor interesse dos Estados Unidos deter a agressão russa e chinesa na região do Ártico, e é por isso que sua equipe está discutindo como seria uma possível compra”.

Perguntada sobre por que Trump não descartava uma ação militar contra um membro da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Leavitt respondeu:

— Isso não é algo que este presidente faça. O presidente Trump sempre tem todas as opções sobre a mesa.

Trump está discutindo compra da Groenlândia, diz Casa Branca

A declaração de Rubio sobre a possível compra do território foi feita em uma reunião de esclarecimento com integrantes das principais comissões de serviços armados e de política externa da Câmara e do Senado na segunda-feira, segundo relatos de autoridades americanas. No mesmo dia, Trump pediu que seus auxiliares apresentassem uma versão atualizada de um plano para adquirir a ilha.

Nesta quarta-feira, Rubio voltou a mencionar o assunto em entrevista coletiva ao sair do Capitólio, sede do Legislativo americano:

— Isso não é novidade, ele falou sobre isso em seu primeiro mandato. E ele não é o primeiro presidente dos EUA a examinar ou analisar como poderíamos adquirir a Groenlândia — disse Rubio, fazendo referência ao ex-presidente Harry Truman (1945-1953), que também havia considerado a ideia, mas acrescentou: — Todo presidente sempre mantém a opção, e não estou falando da Groenlândia, mas do ponto de vista global, de que se o presidente identificar uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos, todo presidente mantém a opção de lidar com ela por meios militares.

Rubio também disse que planeja se reunir na próxima semana com o governo dinamarquês, que solicitou diálogo após as ameaças de Trump. A reunião foi posteriormente confirmada por Copenhague.

— Nada sobre a Groenlândia sem a Groenlândia. Obviamente, vamos participar. Solicitamos uma reunião — declarou a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, à televisão pública.

A reunião no Congresso tinha como foco a Venezuela, mas parlamentares demonstraram preocupação com as intenções do líder republicano em relação à Groenlândia, após declarações consideradas agressivas feitas nesta semana pelo presidente e por um assessor de alto escalão, Stephen Miller, disseram duas autoridades. Rubio, porém, não entrou em detalhes sobre o que quis dizer com a compra da Groenlândia.

Interesse estratégico

O republicano cobiça a Groenlândia desde o primeiro mandato, também por causa de seu potencial de riqueza em minerais críticos. A ilha é um território autônomo e pouco povoado, sob soberania da Dinamarca, país-membro da Otan. A Dinamarca estabeleceu controle colonial sobre a região no século XVIII e concedeu autonomia ao território no século XX.

Na terça-feira, líderes de seis países da Otan divulgaram, ao lado da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, uma declaração conjunta incomum para rebater as afirmações de Trump de que os Estados Unidos deveriam assumir o controle da Groenlândia. Alinharam-se à Dinamarca o Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha e Polônia — todos aliados próximos de Washington —, afirmando:

“A segurança no Ártico deve ser alcançada de forma coletiva, em conjunto com aliados da Otan, incluindo os EUA, respeitando os princípios da Carta da ONU, entre eles a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras. Esses são princípios universais, e não deixaremos de defendê-los. A Groenlândia pertence ao seu povo. Cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre questões que digam respeito à Dinamarca e à Groenlândia”.

A Casa Branca, por sua vez, afirmou que Trump não descartou uma invasão americana da Groenlândia. Em nota na terça-feira, Leavitt destacou que o republicano “deixou claro que a aquisição da Groenlândia é uma prioridade de segurança nacional dos EUA”, sendo “vital para dissuadir” seus adversários na região do Ártico. Para isso, disse, Trump e sua equipe “discutem uma série de opções para perseguir esse importante objetivo de política externa e, claro, o uso das Forças Armadas dos EUA é sempre uma opção à disposição”.

Alguns parlamentares manifestaram preocupação com os planos declarados por Trump. Na noite de terça-feira, a senadora Jeanne Shaheen, democrata de New Hampshire, e o senador Thom Tillis, republicano da Carolina do Norte, divulgaram uma declaração conjunta afirmando que o governo deve respeitar seus aliados. Eles disseram que, quando autoridades deixam claro que a Groenlândia não está à venda, “os EUA devem honrar suas obrigações decorrentes de tratados e respeitar a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca”. “Qualquer sugestão de que nosso país submeteria um aliado da Otan a coerção ou pressão externa mina os próprios princípios de autodeterminação que a aliança existe para defender”, acrescentaram os dois, que lideram o Grupo de Observadores da Otan no Senado.

No domingo, Trump afirmou a jornalistas a bordo do Air Force One que “a Groenlândia está coberta de navios russos e chineses por toda parte”, sem apresentar provas. Rússia e China são potências ativas no Círculo Polar Ártico, mas a Groenlândia não está cercada por embarcações desses países. Atualmente, são os EUA que mantêm uma base militar no território. O vice-presidente americano, JD Vance, visitou a base no ano passado, acompanhado da esposa, Usha.

A Estratégia de Segurança Nacional do segundo governo Trump afirma que a dominação do Hemisfério Ocidental é uma prioridade máxima. Isso ficou ainda mais evidente com a campanha de pressão militar de meses conduzida por Trump contra a Venezuela e a captura, no sábado, por tropas americanas, de Nicolás Maduro, líder do país, e de sua esposa, Cilia Flores, durante um ataque letal. Trump também disse no início do ano passado que planejava adquirir o Canadá.

No domingo, após a captura de Maduro, a esposa de Stephen Miller, Katie, publicou um mapa com o contorno da Groenlândia coberto com a bandeira americana, e os dizeres “em breve”, sugerindo que o território seria o próximo alvo. A postagem levou o chefe do governo groenlandês, Jens Frederik Nielsen, a escrever: “Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação. Estamos abertos ao diálogo. Estamos abertos às discussões. Mas isso deve ser feito pelos canais adequados e com respeito ao direito internacional”.