Ouça agora

Ao vivo

Reproduzir
Pausar
Sorry, no results.
Please try another keyword
Pesquisa mostra que 72% da população mundial vive sob regimes autoritários
Mundo
Pesquisa mostra que 72% da população mundial vive sob regimes autoritários
Liesa coloca à venda ingressos populares para os desfiles do Grupo Especial
Carnaval
Liesa coloca à venda ingressos populares para os desfiles do Grupo Especial
Projeto do ICMS Educacional recebe emendas e é retirado de pauta na Alerj
Política
Projeto do ICMS Educacional recebe emendas e é retirado de pauta na Alerj
Governo volta atrás e mantém limite de passageiros no Santos Dumont
Rio de Janeiro
Governo volta atrás e mantém limite de passageiros no Santos Dumont
Bohêmios de Irajá é reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Rio
Cultura
Bohêmios de Irajá é reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Rio
Alerj avança em regras para garantir pontos de apoio a entregadores por aplicativo
Política
Alerj avança em regras para garantir pontos de apoio a entregadores por aplicativo
Desembargador Ricardo Couto de Castro alerta sobre eleição indireta na Alerj
Política
Desembargador Ricardo Couto de Castro alerta sobre eleição indireta na Alerj

ET de Varginha: 30 anos depois IPM do Exército aponta que mito era apenas homem de cócoras

Documentos do STM, agora públicos, afirmam que suposta criatura vista em 1996 era um morador da cidade agachado em dia de chuva e negam qualquer ação envolvendo extraterrestres

Siga-nos no

Reprodução

Trinta anos depois de entrar para o folclore brasileiro e transformar Varginha (MG) em sinônimo de ufologia, o famoso caso do suposto ET ganha um novo — e definitivo — capítulo. Um Inquérito Policial Militar (IPM), com mais de 600 páginas e agora disponível ao público, traz a versão oficial das Forças Armadas e sustenta que nunca houve extraterrestre, captura secreta ou conspiração militar.

No próximo dia 20 de janeiro, completa-se 30 anos de um dos episódios mais intrigantes e duradouros do imaginário popular brasileiro: o chamado “ET de Varginha”. Em janeiro de 1996, relatos de que uma criatura de aparência incomum teria sido vista — e posteriormente capturada — na cidade do sul de Minas Gerais se espalharam pelo país, alimentando teorias, livros, reportagens e até o turismo ufológico local.

Agora, três décadas depois, documentos oficiais lançam luz sobre a versão institucional do caso. O Superior Tribunal Militar (STM) mantém sob sua guarda dois volumes de um Inquérito Policial Militar (IPM), instaurado em março de 1997 pelo comando da Escola de Sargentos do Exército, com cerca de 600 páginas no total. O objetivo foi apurar boatos sobre um suposto envolvimento de militares e de viaturas do Exército na apreensão e transporte da alegada criatura.

O IPM, atualmente digitalizado e disponível para consulta pública no site do STM, conclui que não há qualquer evidência que sustente a narrativa ufológica.

Segundo a investigação, o episódio teve origem em um dia de forte chuva, com registro inclusive de queda de granizo, quando três jovens relataram ter visto uma figura estranha, agachada junto a um muro, em um bairro da cidade. O cenário climático adverso e o nervosismo contribuíram para uma interpretação equivocada, de acordo com o IPM.

Depoimentos colhidos ao longo do inquérito — inclusive de um militar do Corpo de Bombeiros de Varginha — indicam que as testemunhas podem ter confundido um morador local com transtornos mentais, conhecido na cidade por circular pelas ruas e permanecer frequentemente agachado.

Identificado nos autos como Luiz Antônio de Paula, o “Mudinho”, ele estaria molhado de chuva, sujo de lama e abrigado junto ao muro, o que teria reforçado a percepção distorcida. Fotografias anexadas ao IPM mostram o homem em diferentes pontos da cidade, em posições semelhantes às descritas no relato original.

A investigação militar também ouviu os dois ufólogos responsáveis pelo livro que popularizou o caso em âmbito nacional e impulsionou uma série de reportagens jornalísticas à época. Todos os militares citados na obra foram formalmente ouvidos e negaram qualquer participação no suposto episódio.

O IPM detalha ainda itinerários, horários de saída e retorno de viaturas militares mencionadas nas versões divulgadas. A análise dos registros internos demonstra que não houve deslocamentos compatíveis com o alegado transporte de uma criatura. Motoristas, comandantes e superiores hierárquicos também negaram envolvimento.

Outro ponto abordado no inquérito diz respeito a rumores sobre autópsias e atendimentos médicos secretos. Segundo o Exército, não houve registro de entrada de materiais biológicos não identificados em hospitais da região, e médicos legistas ouvidos afirmaram que nenhum corpo “não humano” foi periciado no período. Já a presença de comboios e caminhões militares na cidade foi atribuída a manutenções de rotina previamente programadas pela Escola de Sargentos das Armas (ESA).

Ao final da apuração, o IPM é categórico: não houve operação militar nem participação de integrantes do Exército no episódio que ficou conhecido como “ET de Varginha”. Para as Forças Armadas, o caso foi resultado de um erro de percepção agravado por condições climáticas, pânico coletivo e efeito multiplicador dos boatos.

Apesar da conclusão oficial, o episódio segue vivo na cultura popular. Parte da comunidade local e grupos de ufólogos mantém o ceticismo, alegando que o relatório faria parte de uma estratégia de acobertamento. Ainda assim, a divulgação integral do IPM reforça o discurso institucional de transparência e permite que qualquer cidadão confronte, página por página, a lenda com os documentos oficiais.

Trinta anos depois, o ET que colocou Varginha no mapa mundial da ufologia segue existindo — ao menos — no imaginário coletivo brasileiro.