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Ano de 2025 foi o terceiro mais quente da história, segundo dados do Copernicus

Dados mostram que média recente já supera 1,5°C e indicam risco de ultrapassagem permanente do limite do Acordo de Paris

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reprodução

O ano de 2025 entrou para a história climática do planeta como o terceiro mais quente já registrado. Mais do que um recorde isolado, o dado reforça uma tendência inquietante: os últimos 11 anos formam, em sequência, o período mais quente desde o início das medições modernas. Pela primeira vez, a média de temperatura de um triênio completo superou o limite de 1,5°C de aquecimento em relação ao período pré-industrial, patamar estabelecido como referência pelo Acordo de Paris.

As informações foram confirmadas nesta quarta-feira (14) pelo Copernicus. Copernicus é o serviço de monitoramento climático da União Europeia, que compila e analisa dados globais desde a década de 1940.

Três anos fora da curva

Os gráficos do relatório anual GCH 2025 evidenciam a excepcionalidade do período recente. A partir de 2023, as cores alaranjadas e vermelhas, que indicam temperaturas acima da média histórica, tornam-se predominantes e mais intensas. Todos os recordes mensais de calor foram quebrados nos últimos três anos.

Setembro de 2023 segue como o mês com maior desvio já registrado, com aquecimento de 0,93°C em relação à média do período de referência entre 1991 e 2000. Já janeiro de 2025 entrou para a série histórica como o janeiro mais quente já observado, com 0,79°C acima da média.

Esses números ajudam a contextualizar eventos extremos que se tornaram mais frequentes e destrutivos. Há cerca de um ano, enquanto novos recordes de temperatura eram estabelecidos, grandes áreas do condado de Los Angeles enfrentavam o incêndio Eaton, um dos 14 focos que devastaram o sul da Califórnia naquela temporada. Ao menos 19 pessoas morreram e cerca de 9.000 edificações foram destruídas.

Eventos extremos mais prováveis

Para especialistas, a ligação entre calor recorde e desastres naturais não pode ser analisada de forma simplista, mas o pano de fundo climático é cada vez mais determinante.

“Em 2025, era na Califórnia. Agora, já temos incêndios florestais recordes na Austrália devido às ondas de calor e às condições de seca”, afirma Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo.

“Não podemos culpar o clima por nenhum desses eventos isoladamente. Mas a mudanças climática os torna muito mais prováveis e aumenta consideravelmente o risco de desastres.”

A média global e o limite de 1,5°C

Em 2025, a temperatura média global ficou 1,47°C acima dos níveis pré-industriais, considerando o período entre 1850 e 1900. O valor sucede o recorde absoluto de 2024, quando o aquecimento chegou a 1,6°C, e mantém patamar semelhante ao de 2023, que registrou 1,48°C.

Segundo o Copernicus, o ritmo atual de aquecimento indica que o limite de 1,5°C poderá ser ultrapassado de forma consistente por volta de 2029, mais de uma década antes das projeções feitas quando o Acordo de Paris foi firmado, em 2015.

A explicação para o calor persistente passa principalmente pelo acúmulo de gases de efeito estufa, impulsionado pela queima de combustíveis fósseis. As emissões globais de dióxido de carbono bateram novo recorde em 2025. Soma-se a isso a elevação contínua da temperatura da superfície dos oceanos.

Principais números do relatório

O levantamento do Copernicus detalha ainda outros indicadores relevantes de 2025:

— A temperatura média global foi de 14,97°C, 0,59°C acima da média de 1991-2020 e apenas 0,13°C abaixo do recorde de 2024
— A temperatura do ar sobre as áreas terrestres foi a segunda mais alta já registrada
— A temperatura média global da superfície do mar chegou a 20,73°C, a terceira mais elevada da série histórica
— Janeiro de 2025 foi o janeiro mais quente já observado em escala global
— Em fevereiro, a cobertura combinada de gelo marinho nos dois polos atingiu o menor valor desde o início das observações por satélite, no fim dos anos 1970
— No Ártico, a extensão do gelo marinho bateu recordes mínimos em vários meses; na Antártida, os níveis também ficaram entre os mais baixos já registrados