A tirolesa do Pão de Açúcar terá as obras retomadas no primeiro trimestre de 2026, após decisão judicial que autorizou a continuidade do projeto e rejeitou um recurso apresentado pelo Ministério Público Federal. Segundo a concessionária responsável, a retomada ocorrerá em conformidade com todas as autorizações legais, ambientais, geológicas e de segurança exigidas pelos órgãos competentes.
O projeto, que já está cerca de 95% concluído, vinha sendo alvo de questionamentos por possíveis impactos ao patrimônio natural e histórico da área. Em junho do ano passado, porém, a Justiça decidiu, por maioria de votos, liberar a continuidade das obras. Prevaleceu o entendimento de que a paralisação prolongada poderia causar mais prejuízos ao patrimônio público do que a conclusão do empreendimento, diante do chamado periculum in mora reverso, quando o risco maior está na interrupção do projeto.
A decisão acompanhou o voto do relator, ministro Francisco Falcão, seguido pelos ministros Marco Aurélio Bellizze, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela. A ministra Maria Thereza de Assis Moura foi a única a votar pela paralisação até o julgamento definitivo da ação civil pública.
O projeto da tirolesa foi apresentado pela Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar, concessionária do Bondinho, e prevê a instalação de quatro cabos de aço com cerca de 770 metros de extensão, paralelos ao trajeto dos bondinhos, ligando os dois principais morros do complexo e oferecendo uma nova experiência turística aos visitantes.
A iniciativa começou a ser discutida com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 2020. Em 2022, o órgão aprovou o anteprojeto e autorizou o avanço para a fase executiva. As obras tiveram início em setembro daquele ano, mas foram interrompidas em janeiro de 2023 após a identificação de intervenções não autorizadas, como cortes em rocha e derramamento de material. Após a apresentação de laudos técnicos e de um novo sistema de contenção, o IPHAN recomendou a retomada, condicionada à supervisão técnica e à elaboração de um Plano Diretor para o complexo.
Parecer técnico do órgão apontou que as intervenções ocorrem em áreas já alteradas e que os cortes em rocha são pontuais, com dimensões limitadas. O documento também destacou que o projeto busca ampliar a acessibilidade, inclusive para pessoas com deficiência, e que respeita os critérios de preservação do patrimônio cultural e paisagístico.
Além das decisões técnicas e judiciais, pesquisas de opinião indicam apoio popular à iniciativa. Levantamento realizado em 2023 com mais de duas mil pessoas mostrou que a maioria vê a tirolesa como um novo atrativo turístico para a cidade, com potencial de impulsionar o turismo e gerar impacto positivo para o Rio de Janeiro.






