A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) divulgou a lista integral de igrejas e pastores citados nas investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que apura um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. A divulgação ocorreu após cobranças públicas do pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, para que a parlamentar apresentasse nomes e provas.
O tema ganhou repercussão depois de uma entrevista concedida por Damares ao SBT News, em 11 de janeiro, quando a senadora afirmou haver indícios de possível participação de igrejas e pastores no esquema investigado pela CPMI do INSS.
Declarações e repercussão
Na entrevista, Damares relatou a pressão enfrentada quando o debate envolve lideranças religiosas. “Quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: ‘não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes’”, afirmou.
Após a repercussão, a senadora disse que as informações são públicas e já foram discutidas no âmbito da comissão. Segundo ela, o possível envolvimento de entidades religiosas “causa profundo desconforto e tristeza”, mas não pode impedir a apuração. “Ainda assim, a CPMI tem o dever constitucional de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental”, declarou.
Reação de Silas Malafaia
Em resposta, Silas Malafaia publicou um vídeo nas redes sociais cobrando a divulgação dos nomes das igrejas e pastores mencionados. “Ou a senhora dá os nomes ou a senhora é uma leviana linguaruda”, disse.
O pastor afirmou ainda que a liderança evangélica do país estaria “indignada” com o que chamou de postura “covarde e vergonhosa” da senadora. Apesar do tom crítico, Malafaia disse não defender eventuais envolvidos, mas exigiu a apresentação de provas.
Lista integral divulgada por Damares
Após a cobrança, Damares publicou uma nota no Instagram informando que foi autora do requerimento que criou a CPMI do INSS, instalada em 2025, e que atua como membro titular da comissão desde o início. Ela reforçou que todos os nomes divulgados constam em documentos oficiais já aprovados pelos integrantes da CPMI.
Igrejas citadas (alvo de pedido de quebra de sigilo):
- Adoração Church
- Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo
- Ministério Deus é Fiel Church
- Igreja Evangélica Campo de Anatote
Pastores citados:
- Cesar Belucci — convidado a comparecer à CPMI
- André Machado Valadão — convidado a comparecer à CPMI e alvo de pedido de quebra de sigilo
- Péricles Albino Gonçalves — convidado a comparecer à CPMI
- Fabiano Campos Zettel — convidado a comparecer à CPMI
- André Fernandes — convidado a comparecer à CPMI
Andamento da CPMI do INSS
O prazo de encerramento da CPMI do INSS está previsto para março deste ano. No entanto, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), defendeu a prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias, alegando que o tempo atual é insuficiente para analisar toda a documentação e ouvir os depoentes pendentes.
Ao longo de 2025, a CPMI realizou 28 reuniões e ouviu 26 testemunhas. Entre elas, dois ex-ministros da Previdência: Carlos Lupi, que chefiava a pasta quando as irregularidades vieram à tona, e Onyx Lorenzoni, responsável pelo ministério durante o governo Jair Bolsonaro, período em que, segundo as investigações, teriam começado os desvios.






