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Seap planeja muro de 4 km para reforçar segurança em presídios de Bangu

A medida ganhou força após a identificação de uma tentativa de fuga articulada por integrantes do Comando Vermelho no fim de 2025

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reprodução

Um projeto da Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap) prevê a construção de um muro com cerca de quatro mil metros de extensão ao redor das 22 unidades do Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. A iniciativa tem como objetivo reforçar a segurança dos presídios de Bangu, onde estão custodiados mais de 22 mil detentos, diante de fragilidades que, segundo a própria pasta, vêm sendo exploradas por organizações criminosas.

A proposta inclui a instalação de um muro e grades com até 3,60 metros de altura, equipados com concertinas e detectores de presença, formando um cinturão de proteção contínuo em todo o complexo. Atualmente, as unidades contam com sistemas de segurança individuais, sem uma barreira única que envolva toda a área.

A medida ganhou força após a identificação de uma tentativa de fuga articulada por integrantes do Comando Vermelho no fim de 2025. Segundo a Seap, agentes penais chegaram a ser monitorados por cerca de dois meses durante o planejamento da ação, que previa a retirada de quatro presos do Presídio Nelson Hungria.

Na madrugada de 21 de dezembro, o plano começou a ser executado, quando detentos cortaram grades do banheiro para deixar a unidade e se encontrar com comparsas no muro. A fuga, no entanto, foi frustrada após policiais identificarem uma tentativa de invasão ao Presídio Lemos Brito. Criminosos arremessaram materiais para cortar grades acreditando se tratar da unidade vizinha, o que acabou revelando a ação.

Crime tinha detalhamento completo da segurança

Relatório interno da Subsecretaria de Inteligência da Seap aponta que o plano envolvia um mapeamento detalhado das rotinas de segurança, incluindo horários de movimentação de agentes e pontos vulneráveis das guaritas. As informações teriam sido coletadas e compartilhadas por meio de ligações e mensagens de áudio e vídeo.

De acordo com o documento, a ação foi arquitetada por Leonardo Santos Costa Falcão, conhecido como Leo GTA, apontado como braço direito de Rodrigo da Silva Caetano, o Motoboy, um dos chefes do tráfico do Complexo da Maré. A fuga era considerada estratégica para a facção, por envolver um preso ligado ao financiamento de crimes patrimoniais usados para a compra de armas. Após o episódio, a Seap solicitou a transferência de Leo e de outros três detentos para o sistema penitenciário federal.

A secretaria também destaca que a expansão desordenada de comunidades no entorno do complexo e a disputa territorial entre milícia e tráfico contribuem para a vulnerabilidade da área. Favelas como Jardim Bangu, Catiri e Vila Kennedy são citadas como pontos de interesse do Comando Vermelho, tanto para o domínio territorial quanto para o arremesso de drogas e celulares para dentro das unidades.